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Saúde

Quais são os tipos de diabetes e qual a relação com o peso?

Saiba as diferenças entre os tipos de diabetes, como o peso influencia e como as canetas emagrecedoras podem contribuir para o tratamento

Por Minha Vida na Medida

Muita gente fala em “diabetes” como se fosse uma doença única, mas a verdade é que existem diferentes tipos de diabetes, com causas e fatores diversos. Em comum, todos envolvem alterações na forma como o organismo lida com a glicose no sangue, mas cada diagnóstico tem suas particularidades¹.

Segundo o Ministério da Saúde, atualmente, mais de 13 milhões de brasileiros têm o chamado diabetes mellitus¹, uma condição crônica que acontece quando o corpo não produz insulina suficiente ou não consegue utilizar corretamente a insulina que produz².

A boa notícia é que, com diagnóstico precoce, acompanhamento médico, mudanças de hábitos e tratamentos modernos, é possível viver bem e reduzir o risco de complicações do diabetes2.

A seguir, saiba quais são os tipos de diabetes e como lidar com os diferentes quadros no dia a dia.

Diabetes tipo 1

O diabetes tipo 1 é uma doença crônica decorrente de um processo autoimune2. Isso significa que o próprio sistema imunológico passa a atacar as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina1,2.

Com isso, o organismo deixa de produzir o hormônio em quantidade suficiente e a pessoa precisa usar insulina diariamente para controlar a glicose no sangue2.

O tipo 1 costuma surgir na infância e/ou na adolescência, especialmente entre os 10 e 14 anos, mas também pode aparecer em adultos1.

Ainda não se sabe exatamente o que causa esse ataque ao próprio organismo. Existe influência genética, mas ela não é a única causa. O diabetes tipo 1 envolve uma combinação de fatores hereditários e outros, como infecções virais2.

Ou seja: ter casos na família pode aumentar o risco, mas não significa que a doença necessariamente será desenvolvida.

Sintomas do diabetes tipo 1

  • sede excessiva2;
  • fome constante2;
  • vontade frequente de urinar2;
  • cansaço e falta de energia2;
  • perda de peso repentina2;
  • visão embaçada2;
  • episódios de xixi na cama em crianças2;
  • cetoacidose diabética em casos mais graves2 (a cetoacidose diabética é uma emergência médica que acontece quando os níveis de açúcar no sangue do paciente diabético encontram-se muito altos e há também um aumento da quantidade de cetonas no sangue3).

Diabetes tipo 2

O diabetes tipo 2 é o mais comum no mundo entre todos os tipos de diabetes, representando mais de 90% dos casos2.

Nesse tipo de diabetes, o corpo até produz insulina, mas ela não consegue atuar corretamente. Esse fenômeno é chamado de resistência à insulina2.

Para compensar, o organismo passa a produzir mais insulina. Com o tempo, o pâncreas não consegue acompanhar essa demanda, e os níveis de glicose aumentam2.

Entre os principais fatores associados ao diabetes tipo 2 estão:

  • excesso de peso e gordura visceral1;
  • sedentarismo1;
  • alimentação inadequada1;
  • hipertensão1;
  • triglicerídeos elevados1;
  • histórico familiar2;
  • envelhecimento2.

Sintomas do diabetes tipo 2

A diabetes tipo 2 é considerada uma doença silenciosa. Geralmente, a doença vai evoluindo lentamente e sem dar sinais claros1,2.

Os sintomas aparecem quando a glicose já está elevada há muito tempo. E eles são parecidos com os vistos no diabetes tipo 1: fome e sede constantes, vontade de urinar várias vezes ao dia, formigamento de pés e mãos, visão turva, feridas que demoram a cicatrizar e infecções frequentes de pele e de urina1.

Qual a diferença entre diabetes tipo 1 e tipo 2?

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o corpo praticamente deixa de produzir insulina2. Já o diabetes tipo 2 está associado à resistência à insulina e ao excesso de peso4.

Outra diferença importante está na idade de diagnóstico. O tipo 1 costuma aparecer mais cedo, enquanto o tipo 2 tende a ser mais frequente em adultos, embora esteja crescendo também entre jovens por causa do aumento da obesidade2.

O tratamento também muda. No diabetes tipo 1, a insulina é obrigatória desde o diagnóstico2. Já no diabetes tipo 2, mudanças no estilo de vida e medicamentos orais podem ser suficientes inicialmente. Outros tratamentos, como aqueles à base de semaglutida, podem ser indicados para o controle da glicemia2.

Mulher sentada realizando o teste de glicemia capilar (furo no dedo) para monitorar os níveis de açúcar no sangue.

Pré-diabetes

O pré-diabetes acontece quando a glicose está acima do normal, mas ainda não atinge os critérios para diabetes¹. Essa condição é considerada um sinal de alerta importante porque aumenta o risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e AVC2.

Os principais fatores associados ao pré-diabetes incluem a obesidade, hipertensão, além de alterações no colesterol e nos triglicerídeos1.

É um alerta importante do corpo porque essa condição ainda pode ser revertida. Mudanças de hábitos alimentares, perda de peso e a prática de atividade física regular ajudam a reduzir o risco de evolução para diabetes tipo 21.

Sintomas de pré-diabetes

O pré-diabetes também é algo silencioso, por isso é importante manter os exames do dia e buscar ajuda quando os níveis de glicose estiverem alterados1,2.

Diabetes gestacional

O diabetes gestacional acontece temporariamente durante a gravidez, quando os níveis de glicose ficam acima do normal, mas ainda abaixo dos critérios diagnósticos para o diabetes do tipo 21.

Ainda assim, é preciso cuidado, pois a condição aumenta o risco de complicações na gestação e no parto. Por isso, o acompanhamento pré-natal é fundamental, não apenas para avaliar a saúde da mamãe e do bebê, mas também para diagnosticar problemas, como esse tipo de diabetes2.

O rastreamento costuma ser feito entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez por meio do teste oral de tolerância à glicose2.

Os principais fatores de risco para a futura mamãe desenvolver diabetes gestacional incluem:

  • excesso de peso2;
  • obesidade2;
  • idade materna mais avançada2;
  • histórico familiar de diabetes2;
  • síndrome dos ovários policísticos2;
  • ganho excessivo de peso na gravidez2;
  • tabagismo2.

Além disso, mulheres que tiveram diabetes gestacional possuem maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 futuramente. Os bebês também apresentam maior risco de obesidade e diabetes ao longo da vida2.

Sintomas do diabetes gestacional

Na maioria das vezes, o diabetes gestacional não provoca sintomas evidentes2. Por isso, os exames do pré-natal são tão importantes.

Outros tipos de diabetes

Além dos tipos de diabetes mais conhecidos, existem outras formas da doença de manifestar:

  • diabetes causado por doenças do pâncreas, como pancreatite e câncer pancreático2;
  • diabetes relacionado a infecções virais2;
  • diabetes provocado por distúrbios hormonais, como síndrome de Cushing2;
  • formas raras de diabetes mediadas pelo sistema imunológico2;
  • diabetes induzido por medicamentos ou substâncias químicas2;
  • síndromes genéticas associadas ao diabetes, como síndrome de Down e síndrome de Prader-Willi2.

Diagnóstico de diabetes e sua importância

Como o diabetes, especialmente o do tipo 2, é uma doença silenciosa, é importante fazer exames de sangue de rotina para entender como anda a sua glicemia1,5.

O diagnóstico do diabetes é justamente feito por exames laboratoriais que identificam níveis elevados de glicose no sangue, como a glicemia de jejum, o teste oral de tolerância à glicose (TTGO) e a hemoglobina glicada (HbA1c)5.

Esses exames devem ser feitos em todas as pessoas com sintomas sugestivos de diabetes e também nas assintomáticas com risco aumentado de desenvolver a doença crônica5.

O diagnóstico precoce é essencial porque muitas pessoas convivem com a doença sem saber. Quanto mais tempo o diabetes permanece sem tratamento, maior o risco de complicações cardiovasculares, renais, neurológicas e oftalmológicas6.

Critérios para diagnóstico de diabetes

Os exames que mostram os níveis de glicose no sangue apontam um quadro normal, de pré-diabetes ou de diabetes mellitus. São estes os valores, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes5:

Critérios (exames) Normal Pré-diabetes Diabetes 
Glicemia de jejum (mg/dl) < 100 100 – 125 ≥ 126 
Glicemia de 1 hora no TTGO (mg/dl) < 155 155 – 208 ≥ 209 
Glicemia de 2 horas no TTGO (mg/dl) < 140 140 – 199 ≥ 200 
HbA1c (%) < 5,7 5,7 – 6,4 ≥ 6,5 

Diante de qualquer alteração, o médico é quem definirá a melhor estratégia para o caso.

Excesso de peso e o gatilho da resistência à insulina

Homem com sobrepeso em consulta médica conversando com uma profissional de saúde sobre o controle da glicemia e resistência à insulina.

A relação entre obesidade e diabetes tipo 2 já está bem estabelecida7,8. O excesso de gordura corporal, especialmente na região abdominal, favorece a resistência à insulina, mecanismo central para o desenvolvimento do diabetes tipo 2, como já mencionamos8.

Estima-se que a obesidade esteja associada a cerca de 43% dos casos de diabetes tipo 2 no mundo. Em alguns países, como Estados Unidos e Reino Unido, essa relação pode chegar a 80% a 90% dos casos7.

Outro ponto importante é que o diabetes tipo 2 está crescendo entre adolescentes e adultos jovens, principalmente devido ao aumento da obesidade, da alimentação ultraprocessada e do sedentarismo7.

Leia ainda: O que é gordura visceral e por que ela é tão perigosa

Tratamentos modernos: do estilo de vida aos remédios para diabetes

O tratamento depende do tipo de diabetes, do estágio da doença e das características de cada pessoa. No diabetes tipo 1, a insulina é indispensável. Já no diabetes tipo 2, o tratamento costuma começar com a perda de peso e mudanças no estilo de vida2.

Quando isso não é suficiente, medicamentos podem ser indicados, incluindo metformina, inibidores de DPP-4, agonistas de GLP-1, inibidores de SGLT-2 e a insulina2. Lembrando que não se deve fazer automedicação. Para todos os tipos de diabetes, os medicamentos, quando indicados, devem ser prescritos por um médico e o tratamento deve ser feito com acompanhamento também.

Abaixo, entenda quais mudanças no estilo de vida são importantes e como agem os medicamentos, principalmente as chamadas canetas emagrecedoras, no diabetes.

Mudança de hábitos é essencial

O controle do diabetes envolve reduzir a gordura visceral e o excesso de peso, cuidar da alimentação e mais medidas2, como:

  • praticar atividade física regularmente6;
  • evitar o tabagismo6;
  • controlar pressão arterial6;
  • controlar colesterol e triglicerídeos6;
  • manter um peso saudável6.

Inclusive, vale a pena procurar saber mais sobre que incluir e o que evitar em uma dieta para quem tem diabetes.

Como os análogos de GLP-1 atuam no diabetes

Mão segurando diversas canetas aplicadoras de medicação (análogos de GLP-1) em diferentes dosagens (1 mg), utilizadas no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.

Os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como a semaglutida, ganharam destaque nos últimos anos por ajudarem tanto no controle do diabetes tipo 2 quanto na perda de peso9.

Popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”, esses medicamentos imitam a ação do hormônio GLP-1 e, com isso, atuam estimulando a liberação de insulina quando a glicose está alta e reduzindo a produção de glucagon, hormônio que aumenta o açúcar no sangue. Além disso, retardam o esvaziamento do estômago, aumentam a sensação de saciedade e ajudam a controlar o apetite9.

Estudos mostram que a semaglutida, associada à dieta e à atividade física, pode ajudar tanto pessoas com obesidade quanto com pré-diabetes a retornarem à normoglicemia (níveis de glicose dentro da faixa considerada normal)9.

No estudo STEP 10, 81% dos participantes que utilizaram semaglutida reverteram o pré-diabetes após um ano de tratamento, contra 14% no grupo placebo9.

Perguntas frequentes sobre os tipos de diabetes

Para finalizarmos, veja um resumo com algumas dúvidas sobre o diabetes.

Qual diabetes é mais grave?

Não existe um tipo “mais grave” de diabetes. Todos exigem acompanhamento e tratamento adequados. O principal risco está na hiperglicemia não controlada e nas complicações que ela pode causar ao longo do tempo2,6.

Diabetes é hereditário?

O diabetes tipo 1 possui influência genética. Já o diabetes tipo 2 também pode ser hereditário, mas ainda apresenta forte relação com fatores como obesidade, alimentação desequilibrada e sedentarismo2.

O pré-diabetes tem cura?

O pré-diabetes pode ser revertido1. Mudanças na dieta e prática regular de exercícios físicos, além de acompanhamento médico, são fundamentais1. Em alguns casos, medicamentos também podem ser indicados8.

Por que as canetas emagrecedoras são usadas no tratamento do diabetes?

Medicamentos análogos de GLP-1 ajudam a controlar a glicose, reduzem o apetite, e aumentam a saciedade9. Por isso, podem auxiliar tanto no tratamento da obesidade quanto no do diabetes tipo 2, sempre com acompanhamento médico.

Quem tem diabetes tipo 1 pode usar as canetas para emagrecer?

O tratamento principal do diabetes tipo 1 continua sendo a insulina diária. Estudos recentes vêm avaliando o uso de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 em pessoas com diabetes tipo 1 e obesidade. No entanto, esse uso ainda não é considerado padrão e deve ser avaliado individualmente por um médico especialista10.

Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

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