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Distorção de imagem: quando o corpo muda e a mente não acompanha

Entenda por que a mente demora tanto para entender a sua nova imagem depois de passar por um processo de emagrecimento

Por Minha Vida na Medida

Distorção de imagem é se perceber de uma forma diferente da realidade1-4. No contexto do emagrecimento, isso pode acontecer quando o resultado chega antes que a mente perceba o corpo novo.

Nesse caso, por mais que a pessoa tenha perdido peso, a imagem refletida no espelho pode parecer que não mudou1-4, ainda que todos notem as diferenças e suas roupas estejam mais folgadas.

É importante observar se o comportamento é apenas um “atraso momentâneo” na percepção ou uma questão mais profunda, que exige atenção e acompanhamento médico1-4.

Saiba mais sobre a distorção de imagem e como viver em sintonia com o seu corpo.

O que é distorção de imagem corporal?

A distorção de imagem corporal acontece quando a forma como a pessoa se enxerga no espelho não corresponde à realidade. Esse descompasso pode envolver desde o incômodo com um traço específico, como o formato do nariz, até a percepção de estar com sobrepeso mesmo após emagrecer1,5,6.

E quando a percepção da própria imagem é distorcida e passa a causar ansiedade, sofrimento e isolamento social, isso pode estar relacionado a um quadro chamado transtorno dismórfico corporal1,5,6.

Causas e gatilhos da distorção de imagem

A maneira como nos enxergamos é moldada por fatores genéticos, psicológicos e sociais. Envolve aspectos como memória corporal, autoestima, hábitos e experiências de vida1,2,6.

Pessoas com transtorno dismórfico corporal sofrem alterações em regiões cerebrais envolvidas no processamento visual e emocional e na percepção da autoimagem7. Isso faz com que o cérebro use uma lente distorcida para se observar no espelho, de maneira que a pessoa passa a acreditar que existe um grande defeito, muitas vezes algo totalmente despercebido pelos outros1.

Além disso, pressão estética, padrões inalcançáveis compartilhados nas redes sociais e até mesmo o histórico de bullying podem reforçar essas percepções negativas sobre o próprio corpo, levando o cérebro a manter uma autoimagem antiga mesmo após mudanças físicas2,5,7,8.

Mulher sentada em um ambiente interno, olhando com uma expressão séria e reflexiva para a tela do celular. O uso da internet e as comparações online são causas frequentes que despertam ou agravam a distorção de imagem.

O descompasso pós-emagrecimento: quando a pessoa não se reconhece no novo corpo

O avanço do tratamento da obesidade tem proporcionado métodos cada vez mais eficazes para a perda de peso. As canetas emagrecedoras de liraglutida, semaglutida ou tirzepatida, por exemplo, são medicamentos prescritos que devem ser usados sob indicação e acompanhamento médico. Inclusive, já são consideradas revolucionárias por potencializar o emagrecimento com segurança e eficácia9-13.

Justamente por essas medicações favorecerem uma rápida perda de peso, as pessoas em tratamento precisam de um tempo até se reconhecerem na nova composição corporal10.

O mesmo acontece com quem passa por uma cirurgia bariátrica, procedimento que pode eliminar até 85% do excesso de peso em 24 meses14.

No final, qualquer processo mais acelerado de mudança corporal pode causar algum tipo de distorção de imagem e fazer com que a mente não reconheça o novo corpo10.

Sinais de que a sua mente não “registrou” o corpo novo

Os comportamentos da distorção de imagem incluem a comparação constante da própria aparência com a de outras pessoas e a checagem repetitiva dos supostos defeitos no espelho1-8.

Trazendo isso para a perda de peso, é algo como viver em comparação e até pensar que os outros sempre conseguem melhores resultados do que você. É não notar que está emagrecendo e continuar comprando roupas do tamanho antigo. É enxergar defeitos no espelho que não são reais e não conseguir perceber realmente o progresso.

Mulher de pé em frente a um espelho puxando o cós de sua calça preta para a frente, revelando que a peça está muito larga na cintura após perda de peso. A dificuldade em reconhecer o novo tamanho do corpo é um forte sinal de distorção de imagem.

Ainda é comum haver uma preocupação exagerada com a estética e a prática compulsiva de exercícios físicos1-8.

Quem sofre com a distorção de imagem, em casos mais graves, pode querer se isolar e ainda ver o desempenho no trabalho e nos estudos comprometido. As relações pessoais também podem ser afetadas1-8.

Diante desses e outros sinais de que a mente não “registrou” o corpo novo, é essencial buscar ajuda e acompanhamento psiquiátrico e psicológico1-8.

Outros tipos de distorção de imagem: da anorexia à fatorexia

Não é só quem emagrece rapidamente que pode enfrentar questões com a distorção de imagem. Há outros quadros relacionados à percepção corporal que demandam atenção.

Anorexia nervosa

Pessoas com anorexia nervosa apresentam três características principais:

  • restrição de comida1,3,6;
  • medo intenso de engordar1,3,6;
  • distorção de imagem em relação ao próprio corpo1,3,6.

Nesses casos, a pessoa mantém um peso corporal significativamente abaixo do esperado para a idade e características físicas e, mesmo assim, se considera acima do peso1,3,6.

Essa distorção se manifesta em diferentes graus, podendo chegar até a crenças muito rígidas e resistentes sobre o próprio corpo1,3,6.

Vigorexia

Também conhecida como dismorfia muscular, a vigorexia é uma preocupação obsessiva de que o próprio corpo não é musculoso o suficiente1,4.

Na realidade, as pessoas com esse tipo de transtorno relacionado à distorção de imagem têm um corpo normal ou até mesmo definido. Mesmo assim, a condição frequentemente leva à adoção de dietas extremas e à prática compulsiva de musculação, muitas vezes levando a lesões físicas1,4.

Pessoas com vigorexia podem, por exemplo, buscar o uso irregular de anabolizantes para acelerar o ganho de músculo, o que provoca o aumento de riscos metabólicos, cardiovasculares e hepáticos e traz prejuízos para a saúde mental1,4.

Bulimia

A bulimia nervosa é marcada por episódios de compulsão alimentar associados a uma forte sensação de perda de controle. Durante essas crises, o paciente come um volume muito superior ao que está acostumado, em curto espaço de tempo1,6.

Para evitar o ganho de peso, surgem os comportamentos compensatórios, como vômitos, uso abusivo de laxantes ou diuréticos, jejuns prolongados e excesso de atividade física1,6.

O transtorno pode causar consequências graves, incluindo alterações hormonais, problemas de estômago devido aos vômitos frequentes e até problemas cardíacos1,6.

Fatorexia (ou gordorexia)

Fatorexia ou gordorexia é uma expressão popularizada pelos jornais e revistas para descrever pessoas com dificuldade em perceber que ganharam peso15. Não é um termo médico e ainda não há estudos robustos sobre o tema.

Como cuidar da mente para construir uma relação mais saudável com o corpo

Mulher de blusa amarela sorrindo de forma confiante enquanto aponta de forma positiva para o seu próprio reflexo no espelho. A imagem transmite autoconfiança e ilustra o processo de cuidar da mente para superar a distorção de imagem e criar uma relação saudável com o corpo.

Desenvolver uma relação mais saudável com a própria imagem começa com um olhar mais crítico sobre o que consumimos diariamente, especialmente nas redes sociais5,16,17,18.

No feed, muitos dos “corpos perfeitos”, na verdade, são resultado de filtros e edições. Diminuir o tempo de tela dedicado a esse tipo de conteúdo ajuda a reduzir comparações e a diminuir a pressão estética4,5,16,17,19.

Ao mesmo tempo, aprender a praticar o amor-próprio, tratando a si mesmo com menos julgamento, pode melhorar a maneira como nos enxergamos. O apoio de amigos e familiares também funciona como um importante fator de proteção, ajudando a diminuir inseguranças, sentimentos de inadequação e vulnerabilidade emocional causados pela distorção de imagem4,17.

Dentro desse cenário, a terapia cognitivo-comportamental é uma das abordagens mais eficazes para identificar pensamentos distorcidos sobre o corpo, reconstruir a autoestima e ajudar no desenvolvimento de uma relação mais equilibrada com a própria aparência4,17.

Lembre-se: se a insatisfação com a própria imagem causa sofrimento ou interfere na qualidade de vida, procure ajuda profissional de psicólogos e psiquiatras.

Importante: o conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

Compatilhe

1. DSM, V. et al. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 2014.

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3. GIORDANI, Rubia Carla Formighieri. A auto-imagem corporal na anorexia nervosa: uma abordagem sociológica. Psicologia & Sociedade, v. 18, p. 81-88, 2006.

4. DE BRITO, M. J. A. et al. Compreendendo a psicopatologia do transtorno dismórfico corporal de pacientes de cirurgia plástica: resumo da literatura [Understanding the psychopathology of body dysmorphic disorder in cosmetic surgery patients: a literature review]. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, v. 29, n. 4, p. 599-608, 2014.

5. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA. Transtorno dismórfico corporal: saiba do que se trata a doença psiquiátrica. Rio de Janeiro: ABP, [s.d.]. Disponível em: https://www.abp.org.br/post/transtorno-dismorfico-corporal-saiba-do-que-se-trata-a-doenca-psiquiatrica?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 8 maio 2026.

6. DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Artmed Editora, 2018.

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8. BONFANTI, Rubinia Celeste et al. The association between social comparison in social media, body image concerns and eating disorder symptoms: A systematic review and meta-analysis. Body image, v. 52, p. 101841, 2025.

9. RYAN, Donna H. et al. Long-term weight loss effects of semaglutide in obesity without diabetes in the SELECT trial. Nature medicine, v. 30, n. 7, p. 2049-2057, 2024.

10. CATERSON, Ian D. et al. Gaps to bridge: misalignment between perception, reality and actions in obesity. Diabetes, Obesity and Metabolism, v. 21, n. 8, p. 1914-1924, 2019.

11. GHUSN, Wissam et al. Weight loss outcomes associated with semaglutide treatment for patients with overweight or obesity. JAMA Network Open, v. 5, n. 9, p. e2231982, 2022.

12. QUARENGHI, Massimo et al. Weight regain after liraglutide, semaglutide or tirzepatide interruption: a narrative review of randomized studies. Journal of Clinical Medicine, v. 14, n. 11, p. 3791, 2025.

13. WILDING, John PH et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity. New England Journal of Medicine, v. 384, n. 11, p. 989-1002, 2021.

14. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA (ABESO); SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA BARIÁTRICA E METABÓLICA (SBCBM). O pós-operatório da cirurgia bariátrica: um guia para resolver as principais dúvidas dos pacientes. São Paulo: Vitamina Conteúdo, 2024. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2024/02/O-pos-operatorio-da-cirurgia-b-ariatrica%E2%80%93Abeso_SBCBM-2024.pdf. Acesso em: 8 maio 2026.

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16. MAZZEO, Suzanne E. et al. Mitigating harms of social media for adolescent body image and eating disorders: a review. Psychology research and behavior management, p. 2587-2601, 2024.

17. ALCARAZ-IBANEZ, Manuel; PATERNA, Adrian; GRIFFITHS, Mark D. Social physical anxiety and eating disorders: A systematic review and meta-analysis. Body image, v. 45, p. 133-141, 2023.

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19. SARWER, David B.; THOMPSON, J. Kevin; CASH, Thomas F. Body image and obesity in adulthood. Psychiatric Clinics, v. 28, n. 1, p. 69-87, 2005.