O índice de massa corporal, conhecido como IMC, é a métrica para saber se você está no peso ideal, mas ele tem um ponto cego: não diferencia músculo de gordura1-3. Ele também não mostra onde está o maior acúmulo de gordura no corpo.
Por isso, para realizar um check-up completo, o IMC deve ser avaliado em conjunto com exames físicos como o que mede a circunferência abdominal1.
Essa medida pode revelar riscos cardiovasculares e metabólicos. Isso porque o acúmulo de gordura na barriga – de gordura visceral – age como um gatilho silencioso para inflamações e doenças. Na prática, você pode ter um IMC normal e ainda assim estar em risco se a medida da sua cintura for acima da considerada ideal.
O médico precisa apenas de uma fita métrica para avaliar a sua circunferência abdominal. A seguir, saiba mais sobre essa métrica, veja o passo a passo para medir o seu abdômen e como interpretar o resultado. E lembre-se: em caso de qualquer dúvida, converse com seu médico!
O que é circunferência abdominal?
A circunferência abdominal é a medida do tamanho da cintura feita com uma fita métrica na região um pouco acima do umbigo.2,3 Apesar de ser uma técnica simples, deve ser feita por um profissional de saúde para que se tenha maior precisão no resultado.
Medida complementa o IMC
O índice de massa corporal é calculado a partir da divisão do peso pela altura elevada ao quadrado. O resultado dessa conta é um indicador bastante usado na avaliação nutricional, mas não totalmente correlacionado com a gordura corporal1.
O IMC não contempla variáveis como sexo e idade, por exemplo. Além disso, não diferencia a massa gordurosa dos músculos, o que o torna ainda menos preciso em idosos e pessoas muito musculosas1.
O ideal é que o IMC seja avaliado em conjunto com outros métodos de mapeamento de gordura corporal, como a circunferência abdominal ou a relação cintura-estatura. Essa medida é feita pela divisão entre o valor da circunferência da cintura e o da altura. Quando esse resultado ultrapassa 0,5, representa um sinal de alerta para a saúde do coração. Ou seja, a medida da cintura deve ser inferior à metade da altura1.
Tudo isso é importante porque, como falamos logo no início, há quem tenha IMC normal, mas apresente acúmulo de gordura1. E é importante saber o quanto antes se há ou não esse excesso de gordura para se evitar problemas de saúde.
Passo a passo de como medir a circunferência abdominal corretamente

É possível medir a circunferência abdominal em casa. Para facilitar, peça ajuda para outra pessoa. Separe uma fita métrica flexível e siga o passo a passo.
1. Tenha atenção à postura durante a medição
A pessoa que será medida deve permanecer de pé, com a postura ereta e os braços relaxados. As pernas devem estar paralelas e ligeiramente afastadas. É fundamental ainda manter o abdômen relaxado, sem murchar a barriga, para não prejudicar o resultado2,3.
2. Posicione a fita métrica no local correto
O local correto para a medição é o ponto médio entre a última costela e a parte superior do osso do quadril2,3. Se não for possível identificar esse ponto, a indicação é posicionar a fita em torno da barriga, cerca de dois centímetros acima do umbigo3.
Para facilitar o alinhamento, marque o ponto com uma caneta2,3.
3. Faça a medição da circunferência abdominal
A fita métrica deve ser segurada com uma mão, no ponto zero, e contornar a cintura da pessoa. Preste atenção para que a fita esteja nivelada em toda a circunferência, sem dobras.
Peça para a pessoa inspirar e, em seguida, soltar todo o ar. A leitura deve ser feita ao final da expiração, antes que ela respire novamente2,3.
Erros mais comuns na hora de medir a circunferência abdominal
Alguns erros podem prejudicar a medição. Portanto, fique atento a:
- roupa: a medida deve ser feita com a barriga despida, diretamente sobre a pele. Roupas ou cintos invalidam o resultado2,3;
- pressão: a fita deve estar encostada no corpo, sem apertar a pele ou ficar frouxa2,3;
- alinhamento: verifique se a fita não escorregou nas costas; ela deve estar perfeitamente horizontal2,3.
Qual é a circunferência abdominal ideal?
O Ministério da Saúde considera como risco cardiovascular aumentado a circunferência abdominal igual ou superior a 80 centímetros em mulheres e 94 centímetros em homens1-3.
Se o índice estiver acima de 88 centímetros em mulheres e 102 centímetros em homens, o risco é considerado muito elevado1-3.
| Circunferência abdominal relacionado ao risco de doenças e mortalidade 1-3 | ||
| Alto risco | Muito alto risco | |
| Mulheres | > 80 centímetros | > 88 centímetros |
| Homens | > 94 centímetros | > 102 centímetros |
Tabela de circunferência abdominal e risco para a saúde
Para compreender como anda a sua saúde, é importante acrescentar mais uma camada na análise da medida da circunferência abdominal. Dados mostram que a forma como o corpo armazena gordura varia entre as diferentes etnias1-3.
Diante disso, foi desenvolvida uma tabela para mostrar o risco de problemas cardiovasculares relacionados ao aumento da circunferência abdominal que, além de levar em conta o sexo, considera os grupos raciais3.
| Etnia3 | Risco cardiovascular elevado3 | Risco cardiovascular muito elevado3 | ||
| Mulher | Homem | Mulher | Homem | |
| Caucasiana | ≥ 80,0 cm | ≥ 94,0 cm | ≥ 88,0 cm | ≥ 102,0 cm |
| Latina | ≥ 83,0 cm | ≥ 88,0 cm | ≥ 90,0 cm | ≥ 94,0 cm |
| Africana | ≥ 71,5 cm | ≥ 76,5 cm | ≥ 81,5 cm | ≥ 80,5 cm |
| Asiática | ≥ 80,0 cm | ≥ 85,0 cm | Não disponível | Não disponível |
O médico, ao avaliar seus exames e sua circunferência abdominal, deve se atentar a essas diferenças étnicas para seguir com qualquer tratamento ou acompanhamento, se for o caso.
Mas por que medir a circunferência abdominal é tão importante?
Já comentamos sobre isso ao longo do texto, mas agora é o momento de nos aprofundarmos no tema e entender, em detalhes, a importância da medida da circunferência abdominal e como ela pode ser um sinal de alerta para a nossa saúde.
Essa medida ajuda a entender a quantidade de gordura intra-abdominal, ou visceral, no corpo, como já mostramos1-3. E diferente da gordura subcutânea, aquela localizada logo abaixo da pele e que conseguimos “pinçar” com os dedos, essa gordura é mais profunda e bem mais perigosa4.
O acúmulo de gordura visceral funciona como um catalisador inflamatório que aumenta o risco de doenças metabólicas4,5.
Nesse sentido, a medição da circunferência abdominal funciona como um termômetro para a saúde, revelando riscos que o peso na balança ou o IMC, sozinhos, não conseguem detectar1.
Abaixo, compreenda quais são esses riscos associados ao aumento da circunferência abdominal.
Relação entre gordura abdominal e saúde metabólica
Toda a gordura acumulada na cavidade abdominal, ao redor de órgãos como fígado e pâncreas, não é apenas um depósito de energia. Ela funciona como um órgão ativo, capaz de liberar hormônios e toxinas1,5.
O comportamento da gordura visceral interfere na forma como o organismo aproveita a insulina. Liberada pelo pâncreas, principalmente para ajudar o açúcar a sair do sangue e entrar nos músculos, a insulina, nesse caso, sofre resistência da gordura5.
Isso causa o aumento dos níveis de açúcar no sangue e acaba sobrecarregando o pâncreas, que entende que precisa liberar mais insulina. A longo prazo, esse esforço metabólico pode levar ao diabetes do tipo 25.
Aumento da gordura abdominal e o risco cardiovascular
Além disso, o acúmulo de gordura visceral contribui para o aumento do colesterol ruim (LDL) e para a redução do colesterol bom (HDL), considerado protetor cardiovascular. O resultado é o aumento dos riscos de uma doença silenciosa chamada de aterosclerose1,4.
A aterosclerose é resultado do acúmulo de gordura e outras substâncias nas paredes das veias e artérias, formando placas que estreitam a passagem do sangue. Ao longo de anos, esse depósito de gordura pode causar o entupimento dos vasos, causando doenças graves como infarto e AVC6.
Leia ainda: Quais riscos da gordura visceral e como cuidar da sua saúde
O que fazer quando a medida da circunferência abdominal está acima do normal?
O primeiro passo para quem apresenta a medida da circunferência abdominal acima do considerado ideal é compreender que o acúmulo de gordura visceral e a obesidade não são uma questão isolada, mas resultados de uma interação complexa entre predisposição genética e estilo de vida1,7.
Por se tratar de um problema com múltiplas causas, a estratégia para revertê-lo deve ser multifatorial, integrando ajustes alimentares, atividade física e, quando indicado por especialistas, medicação adequada, que pode ser usada desde o início do tratamento1,7.

Mudança na alimentação
A base de qualquer mudança para perder circunferência abdominal começa pela reeducação alimentar. Uma dieta planejada por profissionais especializados deve ser parte integrante de programas de perda de peso1-3.
Dietas que estabelecem um consumo entre 1.200 e 1.500 calorias diárias para mulheres e 1.500 e 1.800 para homens podem gerar resultados no emagrecimento1. Dentro desse planejamento, o equilíbrio dos macronutrientes é fundamental, sendo recomendado que a ingestão total seja composta por:
- 55% a 60% de carboidratos1;
- 20% a 30% de gorduras1;
- 15% a 20% de proteínas1.
Para que esses números se traduzam em saúde, algumas mudanças de hábito são indispensáveis.
Isso inclui priorizar o consumo de frutas, legumes e verduras, ao mesmo tempo em que se restringe o uso de açúcar e sal. Da mesma forma, é essencial limitar fontes de gorduras saturadas, como frituras e doces, e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados como embutidos, bolachas e salgadinhos1.
Atividade física
O sedentarismo é um dos principais responsáveis pelo aumento da circunferência abdominal. Para reverter esse quadro, o foco deve ser a constância nos exercícios físicos. Se você não tem o hábito de se exercitar, comece com atividades de intensidade leve e curta duração, evoluindo progressivamente1,8.
A caminhada é um bom ponto de partida devido ao baixo risco e à facilidade de integrar a atividade à rotina. Pedalar, dançar ou até realizar tarefas domésticas mais ativas, como lavar o carro, também são opções para se movimentar8.
No geral, a recomendação é de ao menos 150 minutos semanais de atividade moderada. Para quem busca o emagrecimento, o ideal é atingir entre 250 e 300 minutos por semana, intercalando exercícios aeróbicos e de força8.
Leia também: Como manter e ganhar massa muscular durante o emagrecimento
Equilíbrio entre sono, estresse e hormônios
Dormir mal e viver sob estresse constante são pontos diretamente relacionados à forma como o corpo acumula gordura, especialmente na região abdominal1,5.
Quando o sono é insuficiente, há uma queda na produção de melatonina, hormônio que ajuda a regular o metabolismo. Ao mesmo tempo, ocorre um desequilíbrio em hormônios da fome, com aumento da grelina e redução da leptina, o que favorece mais apetite e pior controle do açúcar no corpo1. Resultado? Quando isso se torna constante, você pode comer mais e acumular gordura no corpo.
Já o estresse potencializa esse ciclo. Situações prolongadas de tensão ativam mecanismos hormonais que estimulam a busca por alimentos mais calóricos e recompensadores, favorecendo o aumento da gordura corporal, incluindo a abdominal1.
Portanto, ter boas noites de sono e cuidar da mente fazem parte das estratégias para reduzir a circunferência abdominal.
Acompanhamento médico e nutricional
É possível contar com o apoio de médicos e nutricionistas não só para tratar doenças, como também para preveni-las. No segundo caso, o aumento da circunferência abdominal associado a dificuldade para perder peso e cansaço frequente são sinais de que vale a pena procurar ajuda de um profissional de saúde.
Quanto mais cedo esses sinais são investigados, maiores são as chances de evitar complicações metabólicas e cardiovasculares.
Como o uso de canetas emagrecedoras impacta na circunferência abdominal?
O avanço da ciência permitiu a compreensão da obesidade como uma doença complexa e multifatorial. Hoje, sabe-se que fatores genéticos tornam o emagrecimento um desafio que vai além da força de vontade individual.1,7
Dentro desse contexto, o uso de medicamentos como as canetas emagrecedoras se consolidou como parte estratégica do tratamento da obesidade, ajudando a estabilizar o metabolismo e a facilitar a adesão às mudanças no estilo de vida.1,7
O principal impacto da caneta emagrecedora na redução da circunferência abdominal está na sua capacidade de atuar nos mecanismos de saciedade, controle do apetite e controle da glicemia1,7.
O medicamento também contribui para retardar o esvaziamento gástrico. Com isso, ajuda a reduzir a ingestão calórica de forma sustentável, promovendo uma perda de peso e redução da gordura1,7. Estudos mostram que a semaglutida contribuiu na redução de, em média, 13 cm de circunferência abdominal em média9.
Apesar da popularidade, as canetas são medicamentos e devem ser usadas apenas sob prescrição e com acompanhamento médico7.
Canetas de semaglutida ou tirzepatida, por exemplo, são vendidas com retenção de receita médica. Também só use medicamentos certificados e aprovados pela Anvisa. Não utilize canetas manipuladas10.
Perguntas frequentes sobre circunferência abdominal
Veja quais são as perguntas mais recorrentes sobre circunferência abdominal!
Qual a circunferência abdominal ideal para mulheres?
A circunferência abdominal feminina deve ser inferior a 80 centímetros.1
Qual a circunferência abdominal ideal para homens?
A circunferência abdominal masculina deve ser inferior a 94 centímetros.1
Como reduzir a circunferência abdominal?
O pilar mais importante para reduzir a circunferência abdominal é redução de peso. Para isso, é importante adotar alimentação saudável, prática de exercícios físicos, redução de estresse. Quando indicado, medicamentos, como as canetas emagrecedoras, podem fazer parte da estratégia. O médico poderá traçar o melhor caminho para seu caso1-3,7.
Caneta emagrecedora reduz a circunferência abdominal?
As canetas emagrecedoras podem ajudar na redução da gordura abdominal e no controle do diabetes tipo 2, mas devem ser usadas apenas sob prescrição e com acompanhamento médico7,10.
Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.




