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Saúde

O que é pré-diabetes e como reverter o quadro

Entenda o que é pré-diabetes, quais os sintomas, como identificar e o que fazer para evitar que evolua para diabetes

Por Minha Vida na Medida

Diabetes e pré-diabetes são palavras familiares? Segundo o Atlas Global do Diabetes 2025, publicado pela International Diabetes Federation (IDF), o Brasil ocupa o 6º lugar mundial em número de casos, com 16,6 milhões de pessoas vivendo com a doença1.

Mas quando o quadro é descoberto precocemente, justamente quando ainda é chamado de pré-diabetes, há chances reais de reverter o quadro e frear a evolução da doença2.

O que é pré-diabetes e quando acontece

O pré-diabetes é uma condição na qual os níveis de glicose (açúcar) no sangue estão mais altos do que o normal, mas ainda não estão elevados o suficiente para ser considerado um quadro de diabetes tipo 1 ou tipo 21.

Esse quadro de hiperglicemia leve ou “hiperglicemia intermediária” serve como alerta de que algo está errado, mas que ainda dá tempo de reverter a situação1,3.

Quais as principais causas do pré-diabetes?

Tanto o pré-diabetes quanto o diabetes são problemas multifatoriais, ou seja, podem estar relacionados a diversas questões. Entretanto, o principal deles é o excesso de peso4.

Quando há aumento de peso, o pâncreas passa a produzir mais insulina para tentar controlar os níveis de glicose no sangue. Com o tempo, o organismo começa a responder menos a esse hormônio, estado conhecido como resistência à insulina4.

O quadro de resistência à insulina pode aumentar o risco para outros problemas de saúde, como hipertensão arterial, colesterol elevado e doenças cardiovasculares5.

Há ainda um ciclo nada favorável. Quem tem resistência à insulina pode ter mais dificuldade em emagrecer porque o açúcar consumido deixa de ser processado corretamente, o que contribui para o acúmulo de gorduras no organismo5.

Pés de uma pessoa em pé sobre uma balança analógica de chão, ressaltando a importância do controle do peso corporal para evitar e identificar o pré-diabetes.

Consequentemente, o açúcar circula em níveis mais altos no sangue, elevando as taxas de glicemia.

Além disso, são fatores de risco para o pré-diabetes:

  • tendência familiar e herança genética4;
  • alimentação hipercalórica4;
  • sedentarismo4.

Diferença entre glicemia normal, pré-diabetes e diabetes

Glicemia é a quantidade de glicose no sangue. Uma pessoa é classificada como pré-diabética quando seus exames de sangue apresentam níveis de glicemia alterados1,3.

Na glicemia em jejum, por exemplo, um valor abaixo de 100 mg/dl é considerado normal, de acordo com a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes. Resultados entre 100 mg/dl e 125 mg/dl acendem o alerta para pré-diabetes. Já casos de 126 mg/dl ou acima são classificados como diabetes3.

Há ainda exames como o teste de tolerância à glicose via oral e a hemoglobina glicada que contribuem para traçar o diagnóstico, seja de pré-diabetes ou diabetes3.

Quais são os sintomas de pré-diabetes

O pré-diabetes é considerado uma doença silenciosa, já que frequentemente não apresenta sinais ou sintomas sugestivos. Em casos raros, a pessoa pode ter acantose (condição de pele caracterizada por manchas escuras e espessadas, frequentemente nas dobras da pele em regiões como virilhas, axilas e pescoço)4.

Os sintomas estão associados ao quadro de diabetes em si. Nesse caso, os principais sinais relacionados são fome, sede excessiva e vontade de urinar várias vezes ao dia2.

Ainda podem ser citados como sintomas de hiperglicemia (alta taxa de glicose no sangue):

  • desidratação3;
  • visão turva3;
  • cansaço3;
  • infecções recorrentes (candidíase e periodontite)3;
  • má cicatrização de feridas3.

Como saber se estou com pré-diabetes

A única forma definitiva para saber se você está com pré-diabetes é por meio de exames de sangue laboratoriais3. Como comentamos, pré-diabetes costuma ser algo silencioso, portanto, não espere os sinais para agir. Exames de rotina são o melhor caminho para monitorar a sua saúde e descobrir qualquer alteração precocemente.

O rastreamento de diabetes mellitus do tipo 2 e, consequentemente, de pré-diabetes é recomendado para todas as pessoas com 35 anos ou mais3.

Adultos com sobrepeso ou obesidade que tenham, pelo menos, mais um fator de risco envolvido, como história familiar em parente de primeiro grau, doença cardiovascular, síndrome de ovários policísticos, acantose nigricans (condição de pele caracterizada por manchas escuras e espessadas, frequentemente nas dobras da pele4) também devem fazer o rastreio3.

Ainda completam essa lista os adultos com sobrepeso ou obesidade e que são sendetários3.

Exames importantes para diagnosticar pré-diabetes

  • glicemia em jejum de 8 a 12 horas3;
  • testes de tolerância à glicose por via oral após 1 ou 2 horas (TTGO-1h e TTGO-2h)3;
  • hemoglobina glicada3.

Dependendo do resultado e histórico do paciente, pode ser necessária uma reavaliação em um intervalo de 6 meses a um ou três anos3.

Quais os riscos do pré-diabetes?

O pré-diabetes é uma condição com elevado risco para diabetes mellitus. Segundo a American Diabetes Association e a Sociedade Brasileira de Diabetes, cerca de 25% dos pacientes progridem para a condição crônica, 50% permanecem como estão e 25% conseguem reverter para normalidade6,7.

Vale reforçar que a hiperglicemia também é um fator de risco constante para danos aos vasos sanguíneos e ao coração. E quanto mais tempo as taxas de açúcar no sangue estiverem elevadas, maiores as chances de doenças relacionadas, como as cardiovasculares, e complicações7.

Como tratar o pré-diabetes na prática

Homem levantando halteres em uma academia sob a supervisão de um instrutor físico, representando a mudança de hábitos e a prática de atividades necessárias para reverter o quadro de pré-diabetes.

O tratamento da hiperglicemia intermediária, ou pré-diabetes, é focado em mudanças no estilo de vida6, e a ciência tem comprovado esse caminho.

Um estudo conduzido pelo Diabetes Prevention Program Research Group avaliou métodos para prevenir ou retardar o diabetes tipo 2 em adultos com alto risco de desenvolver a doença8.

A pesquisa comparou a eficácia de mudanças intensivas no estilo de vida, focadas em dieta e exercícios, com o uso do medicamento metformina e um placebo8.

Os resultados demonstraram que mudanças intensivas no estilo de vida reduziram a progressão para condição crônica em 58%, enquanto o tratamento farmacológico apresentou uma redução de 31%8.

Ainda assim, vale dizer que dependendo do quadro e da evolução do paciente, pode também ser recomendado o uso de medicamentos, sempre com orientação e acompanhamento médico7.

Mais abaixo falaremos sobre o uso da semaglutida e das canetas emagrecedoras para esse quadro. Antes, veja em detalhes quais mudanças são recomendadas e por que elas podem favorecer quem apresenta pré-diabetes.

Dieta saudável

Mudar os hábitos alimentares é o primeiro passo quando o assunto é tratar o pré-diabetes4.

É essencial reduzir o consumo de alimentos com açúcar, gorduras e farinha branca e o consumo de sal. Por outro lado, deve-se prezar por alimentos frescos. As verduras com folhas verde-escuras, por exemplo, atuam no combate ao excesso de açúcar concentrado no sangue.4

Além disso, é indicado incluir na dieta:

  • verduras e legumes em geral4;
  • frutas com casca e bagaço4;
  • grãos integrais4;
  • leguminosas4;
  • produtos lácteos desnatados 4;
  • gorduras boas (presentes em alimentos como azeite de oliva, abacate, nozes, castanhas e peixes)4.

Atividade física regular

O sedentarismo é um grande vilão para o aumento da glicemia. Por isso, ao pensar em como reverter o quadro de pré-diabetes, é importante ter liberação médica e procurar um educador físico ou uma academia para incluir os exercícios na rotina4.

A atividade física ajuda no controle da glicose, pois os músculos estão trabalhando, e eles precisam da energia do açúcar do sangue para isso4.

Controle e redução do peso

Já vimos que o excesso de peso é outro vilão por aqui. A combinação de dieta equilibrada e exercício, além do uso de medicamentos, quando indicado, favorece o emagrecimento7.

Estima-se que uma redução de 5% do peso em pessoas com sobrepeso e obesidade já traga benefícios em relação ao diabetes7.

Quem tem pré-diabetes pode usar caneta emagrecedora?

O uso de medicamentos pode ser, sim, uma estratégia no tratamento do pré-diabetes, mas é essencial que isso seja feito sob orientação e acompanhamento médico7.

A semaglutida, por exemplo, substância ativa usada nas canetas emagrecedoras, apresenta resultados comprovados no tratamento do diabetes e, quando houver indicação, pode ser usada nessa fase também9.

Estudos já demonstraram que, em adultos com sobrepeso ou obesidade e sem diabetes, o uso semanal de semaglutida aumentou significativamente a proporção de pessoas que voltaram aos níveis normais de glicose no sangue em comparação ao placebo. Além disso, menos participantes evoluíram para diabetes ao longo do acompanhamento9.

Quanto tempo leva para reverter pré-diabetes?

Isso pode variar. Pesquisas mostram que 25% das pessoas com hiperglicemia intermediária conseguiram reverter a condição para normalidade dentro de 3 a 5 anos7.

O quadro de pessoas mais idosas, com sobrepeso ou com outros fatores de risco pode ser diferente. Há uma tendência maior para que esse grupo evolua para o diabetes tipo 27.

Perguntas frequentes sobre pré-diabetes

Veja ainda um resumo com as principais dúvidas sobre o pré-diabetes.

Pré-diabetes pode virar diabetes?

Sim, o pré-diabetes é um sinal de alerta e há chances de virar um quadro de diabetes tipo 22.

Pré-diabetes tem cura?

Com medidas como mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico, é possível reverter o quadro de pré-diabetes para a normalidade, mantendo o controle contínuo para evitar que ele retorne7.

Como sair do pré-diabetes com mudanças de hábito?

As principais mudanças de hábitos para reverter um quadro de pré-diabetes são adesão a uma dieta saudável e prática regular de atividade física, além de perda de peso quando necessário7.

Qual o valor da glicemia no pré-diabetes?

Os seguintes valores sugerem pré-diabetes nos exames abaixo:

  • glicemia em jejum de 8 a 12 horas: entre 100 mg/dl e 125 mg/dl3;
  • teste de tolerância à glicose por via oral de 1 hora: entre 155 mg/dl e 208 mg/dl3;
  • teste de tolerância à glicose por via oral de 2 horas: entre 140 mg/dl e 199 mg/dl3;
  • hemoglobina glicada: entre 5,7% e 6,4%3.

Quem tem pré-diabetes precisa tomar remédio?

Quem vai decidir se é necessário ou não tomar algum medicamento é o médico.

Canetas emagrecedoras ajudam no pré-diabetes?

Estudos mostram que medicamentos como a semaglutida podem contribuir para a melhora dos níveis de glicose e para a redução do peso corporal9. Mesmo com resultados favoráveis, as canetas são medicamentos, que só devem ser usados sob prescrição e com acompanhamento médico.

Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

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