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Saúde

Grelina: tudo sobre o hormônio da fome

A grelina é um hormônio produzido principalmente pelo estômago, que tem um papel fundamental no controle do apetite

Por Minha Vida na Medida

Sentir fome toda hora, pensar em comida mesmo depois de comer ou ter dificuldade para manter uma dieta vai muito além de “falta de controle”. Na verdade, o corpo humano possui mecanismos complexos que regulam o apetite o tempo inteiro, e um dos principais responsáveis por isso é a grelina, conhecida como o “hormônio da fome1.

Esse hormônio atua como um mensageiro do organismo, alertando o cérebro de que é hora de buscar alimento e repor a energia1. O problema é que alguns fatores do dia a dia podem desregular esse sistema2, aumentando ainda mais a sensação de fome e dificultando o emagrecimento.

Diante do conhecimento cada vez maior sobre os hormônios envolvidos no apetite, na saciedade e no metabolismo, hoje a ciência já tem um entendimento de que perder peso não depende apenas de “força de vontade”. E é justamente nesse cenário que medicamentos modernos, como a semaglutida3,4, ganharam espaço ao ajudar no controle da fome.

Ao longo deste artigo, você vai entender melhor o que é grelina, como ela funciona no organismo, por que o aumento de grelina pode dificultar o emagrecimento e o que realmente ajuda a controlar o hormônio da fome de forma saudável e sustentável. Continue a leitura!

O que é grelina e qual sua função no organismo?

A grelina é um hormônio produzido principalmente pelo estômago. Uma de suas funções mais importantes é sinalizar ao cérebro que o corpo precisa de energia, estimulando a fome1,2.

De maneira simples, a grelina funciona como um “despertador da fome”. Quando o estômago fica vazio por muitas horas, os níveis do hormônio aumentam e são enviados sinais para o cérebro de que está na hora de comer. Depois da refeição, os níveis de grelina tendem a cair1,2.

Esse mecanismo é completamente natural e necessário para a sobrevivência. O problema aparece quando esse mecanismo fica desequilibrado, o que pode acontecer após longos períodos de dietas restritivas, privação de sono, estresse excessivo ou alterações metabólicas associadas à obesidade1,2,5.

O hormônio grelina também participa de outros processos essenciais no organismo, como o balanço de energia, o controle da glicemia (açúcar no sangue) e até a liberação do hormônio do crescimento (GH) no corpo1,2. Por isso, a fome em si não depende apenas da vontade de comer.

Qual é a relação do aumento de grelina com o ganho de peso?

Mulher vista de costas usando uma blusa azul de ginástica e com as mãos na cintura. Níveis altos de grelina aumentam o apetite e podem contribuir para o ganho de peso.

Como vimos, a grelina é um hormônio que circula no corpo quando estamos há muito tempo sem comer e tende a se normalizar depois de uma refeição. Pois esse mesmo mecanismo entra em ação quando ocorre uma perda de peso relevante2.

Geralmente, quando o organismo passa por dietas muito restritivas ou emagrecimento rápido, os níveis do hormônio da fome tendem a subir. Isso porque o cérebro interpreta a situação como uma ameaça de falta de energia e aumenta a fome para tentar recuperar o peso perdido2.

Na prática, muita gente consegue emagrecer inicialmente, mas depois enfrenta uma fome intensa, dificuldade de manter a dieta e recuperação do peso2. Isso costuma levar ao famoso “efeito sanfona”, que pode ser uma verdadeira barreira para a manutenção do peso a longo prazo6.

Desta forma, não conseguir emagrecer fazendo dieta nem sempre tem relação com falta de esforço. Muitas vezes, é o próprio organismo tentando voltar ao estado anterior – e a grelina está envolvida nesse processo2. Por isso, os tratamentos para obesidade mais atuais passaram a considerar fatores hormonais e metabólicos, e não apenas a redução extrema de calorias.

Como diminuir a grelina? Estratégias naturais e alimentos

O esperado é que os níveis de grelina fiquem baixos quando o corpo está bem nutrido e saciado2. Porém, alguns hábitos e condições de saúde podem causar um desbalanço desse hormônio2,5.

Descubra o que ajuda a reduzir aquela fome fora de hora e como estabilizar os níveis de grelina de forma natural.

Apostar em proteínas

Uma dieta elaborada com alimentos ricos em proteína, como ovos, carnes magras, e peixe, costuma promover maior saciedade e baixar a grelina. O estômago permanece preenchido por mais tempo e os níveis do hormônio reduzem de forma mais eficiente após as refeições1,2.

Limitar o consumo de açúcar e ultraprocessados

Algumas evidências apontam que dietas muito calóricas, que incluem alimentos com alto teor de açúcar, afetam os níveis saudáveis de grelina no corpo1. Por isso, o ideal é evitar o consumo de produtos açucarados e ultraprocessados no dia a dia, priorizando fontes de carboidratos complexos como os grãos integrais1,2.

Dormir bem

Pesquisas apontam que poucas horas de sono aumentam a produção do hormônio da fome. Tanto que, depois de noites mal dormidas, é comum sentir mais vontade de comer alimentos muito calóricos7.

Portanto, manter uma rotina de sono regular ajuda o organismo a equilibrar melhor os sinais de fome e saciedade7. Confira algumas dicas e um passo a passo para fazer a higiene do sono e ter um descanso merecido. e ter um descanso merecido.

Controlar o estresse

O estresse frequente e excessivo também pode desregular a grelina, elevando os níveis do hormônio da fome. Então, é muito importante controlar a tensão2, seja com atividade física regular, pausas de descanso ou momentos de relaxamento. Isso pode colaborar para conseguir reduzir o apetite também.

Grelina e leptina: a dança da fome e da saciedade

Quando o assunto é controle do apetite, não dá para falar de grelina sem mencionar a leptina, já que esses dois hormônios atuam quase como lados opostos da mesma moeda.

A grelina estimula a fome. Já a leptina é o hormônio associado à saciedade. Ela é produzida pelo tecido adiposo (gordura) e envia sinais ao cérebro indicando que o corpo já possui energia suficiente1.

Em um organismo equilibrado, esses hormônios trabalham juntos o tempo inteiro: quando a grelina sobe, aumenta a fome; e quando a leptina sobe, aumenta a saciedade. Só que, em muitas pessoas com obesidade, esse sistema fica desregulado1.

Mesmo com níveis altos de leptina, o cérebro pode desenvolver uma espécie de “resistência” ao hormônio, dificultando a percepção de saciedade. Enquanto isso, alterações na grelina podem tornar o organismo menos sensível a ela, prejudicando ainda mais toda a comunicação com o cérebro1.

Essa interação entre grelina e leptina ajuda a entender por que o emagrecimento é um processo muito mais complexo do que simplesmente “comer menos”. E nem sempre basta uma mudança no estilo de vida para se ter uma perda de peso consistente.

Medicamentos, semaglutida e a redução da fome

Visão superior de mãos femininas segurando um garfo e uma faca ao lado de um prato branco vazio sobre uma mesa de madeira, simbolizando a redução da fome e o controle da grelina.

Muitas pessoas procuram um suposto bloqueador de grelina ou algum medicamento capaz de “desligar” completamente a fome. Mas, até o momento, não existe uma substância aprovada que atue diretamente bloqueando a grelina para emagrecimento.

O que existe atualmente são medicamentos modernos que modulam os mecanismos de fome e saciedade de outras formas. A semaglutida é um dos principais exemplos. Princípio ativo usado em algumas canetas emagrecedoras, a semaglutida pertence à classe dos análogos de GLP-1, hormônio relacionado à saciedade3,4.

A semaglutida atua no sistema nervoso central, no controle da glicemia e desacelera o esvaziamento do estômago. Na prática, isso aumenta a sensação de saciedade, reduz a fome e ajuda no controle alimentar. Por isso, muitas pessoas relatam menos pensamentos constantes sobre comida durante o tratamento4.

Leia também: Compulsão alimentar: o que é, como lidar e o impacto do uso das canetas emagrecedoras

Esses medicamentos representam uma mudança importante no tratamento da obesidade, porque reconhecem que a fome também é regulada biologicamente – e não apenas por comportamento. Ainda assim, o uso deve sempre acontecer com acompanhamento médico, avaliação individualizada e mudanças de hábitos associadas.

Perguntas frequentes sobre a grelina

Agora que já detalhamos o que é grelina e a relação com o peso, veja um resumo e mais algumas dúvidas respondidas.

Qual é a função da grelina?

A principal função da grelina é estimular a fome e avisar ao cérebro que o corpo precisa de energia. Por isso, ela é conhecida como hormônio da fome1,2.

Qual medicamento inibe a grelina?

Até o momento, não existe um medicamento aprovado que iniba especificamente a grelina1,2. No entanto, medicamentos modernos para obesidade, como a semaglutida, conseguem modular a fome de forma eficaz ao imitar a ação do hormônio GLP-1, aumentando a saciedade através da ativação de receptores do GLP-1 no cérebro3,4.

Quais são os sintomas de grelina alta?

Pode-se dizer que fome excessiva, dificuldade de sentir saciedade mesmo depois de comer e aumento do apetite além do normal podem estar associados ao aumento de grelina2. Mas esse diagnóstico é feito por um médico, mediante exames.

Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

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