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Saúde

Guia prático sobre glicemia e sua relação com o emagrecimento

Entenda o que é glicemia, a influência da insulina na questão do peso e dicas para manter os níveis de açúcar no sangue sob controle

Por Minha Vida na Medida

Manter a glicemia sob controle é essencial para prevenir complicações cardiovasculares ou a progressão para o diabetes e está intimamente relacionado ao controle do excesso de peso e da obesidade1,2.

Compreender como o organismo lida com a glicose ajuda a entender, por exemplo, mecanismos que influenciam a saciedade2,3, além da relação com algumas doenças1. No final, entender como está a sua glicemia é uma forma de cuidar da sua saúde.

O que é a glicemia?

A glicemia é a quantidade de glicose circulando no sangue. E a glicose é um tipo de açúcar simples presente no sangue, sendo uma das principais fontes de energia do organismo4.

O corpo obtém glicose principalmente por meio da alimentação, especialmente a partir dos carboidratos. Após a digestão, esses nutrientes são convertidos em glicose, absorvidos e utilizados como combustível pelas células4.

Qual a diferença entre glicose e glicemia?

A glicose é a substância em si: o açúcar presente no sangue. Já a glicemia é a medida da quantidade dessa substância circulando no organismo. Ou seja, glicose é o “o quê” e glicemia é “quanto”4.

E qual a diferença entre hiperglicemia e hipoglicemia?

A hiperglicemia ocorre quando há excesso de glicose no sangue4, enquanto a hipoglicemia indica níveis baixos5.

A hiperglicemia pode causar sintomas típicos e sugestivos como:

  • sede excessiva1;
  • aumento da urina1;
  • acordar para urinar à noite1;
  • fome intensa1;
  • visão turva1;
  • perda de peso1;
  • cansaço1;
  • infecções recorrentes1;
  • má cicatrização de feridas1;
  • pode também ser assintomática1.

Já a hipoglicemia pode provocar:

  • tremores5;
  • suor e calafrio5;
  • tontura5;
  • irritabilidade5;
  • fadiga5;
  • nervosismo e ansiedade5;
  • náusea5;
  • sonolência5;
  • confusão mental e delírios5;
  • dor de cabeça5;
  • taquicardia5;
  • falta de coordenação motora5;
  • desmaios5.

Vale ressaltar que é importante saber como anda a sua glicemia com um controle feito por exames de sangue. Além disso, se notar sintomas persistentes ou tiver qualquer dúvida, o caminho é sempre procurar um médico para entender como está a sua saúde.

Como o corpo controla os níveis de glicose no sangue

O organismo regula a glicemia principalmente por meio de hormônios como a insulina3.

Após a alimentação, os níveis de glicose aumentam. Isso estimula a liberação de insulina, que ajuda o açúcar a entrar nas células para ser usada como energia4. Parte dessa glicose também pode ser armazenada na forma de glicogênio no fígado e nos músculos6.

Em contrapartida, durante períodos de jejum ou atividade física intensa, a glicemia tende a cair. Nesse momento, ocorre a liberação de um hormônio chamado glucagon. Ele sinaliza ao fígado que ele deve converter o glicogênio estocado de volta em glicose, lançando-a na corrente sanguínea para garantir a energia necessária para o funcionamento do organismo6.

Qual o valor normal da glicemia?

A glicemia pode ser medida por diferentes exames, como glicemia em jejum ou após refeições1. Veja os valores abaixo:

Glicemia em jejum

O exame deve ser feito após 8 a 12 horas sem comer1.

  • Normal: abaixo de 100 mg/dL1;
  • Pré-diabetes: entre 100 e 125 mg/dL1;
  • Diabetes: a partir de 126 mg/dL1;

Glicemia de 1 hora (TTGO-1h)

O Teste de Tolerância à Glicose via oral avalia como o organismo lida com uma quantidade controlada de açúcar após um período de jejum. O exame é feito uma hora após a ingestão de um líquido com glicose1.

  • Normal: abaixo de 155 mg/dL1;
  • Pré-diabetes: entre 155 e208 mg/dL1;
  • Diabetes: igual ou superior a 209 mg/dL1.

Glicemia de 2 horas (TTGO-2h)

O mesmo teste do anterior, mas feito 2 horas após a ingestão de glicose1.

  • Normal: abaixo de 140 mg/dL1;
  • Pré-diabetes: entre 140 e 199 mg/dL1;
  • Diabetes: igual ou superior a 200 mg/dL1.

Há ainda o teste de HbA1c (Hemoglobina Glicada), que mostra a média da exposição à glicose nos últimos meses1.

Os valores acima são citados em diretrizes sobre o diabetes, mas interpretação dos dados e o diagnóstico devem ser feitos por um médico.

Qual a relação entre glicemia e emagrecimento?

Mulher segura calça larga na cintura, demonstrando o impacto do controle da glicemia no emagrecimento saudável.

Para entender essa relação é preciso ver alguns pontos.

Variações de glicose e influência na saciedade

Já parou para pensar que, pouco depois de comer um pão, uma pizza ou um pedaço de bolo feito com farinha branca e açúcar, logo já sente fome de novo?

Isso acontece porque alimentos ricos em carboidratos podem elevar rapidamente a glicemia após a ingestão. Como consequência, há aumento da insulina, que irá rapidamente estimular a digestão dos carboidratos e a fome irá voltar4.

A digestão dos carboidratos simples é mais rápida, ou seja, não traz a sensação de saciedade por tanto tempo. Já ao pensarmos em carboidratos complexos, como grãos integrais, a digestão é mais lenta, não dá tanto pico de glicose no sangue e você demora mais para sentir fome novamente7.

Resistência à insulina e dificuldade para emagrecer

Já quando há um quadro de resistência à insulina, as células não respondem adequadamente a esse hormônio8. Isso significa que o organismo não consegue bem usar a glicose como energia e nem armazenar de forma eficiente9.

Dessa forma, a glicose continua se acumulando no seu sangue e isso traz uma série de consequências, entre elas a hiperglicemia, que pode evoluir para pré-diabetes e diabetes tipo 2, e ainda favorece a obesidade9.

Por outro lado, o acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal, é um dos principais fatores que contribuem para o surgimento da resistência à insulina9.

Controle glicêmico e queima de gordura

O corpo usa a glicose como energia e, quando necessário, vai procurar esse combustível em seus estoques.

Quando os níveis de glicose no sangue diminuem, como ao praticar uma atividade física, o pâncreas libera sinais para estimular o fígado a quebrar o glicogênio e fornecer energia em forma de glicose ao sangue. Também é recrutado o glicogênio presente nos músculos6.

Se o glicogênio se esgota, o organismo pode passar a queimar gordura para conseguir a energia que precisa para funcionar8.

Estresse e aumento da glicemia

Situações de estresse aumentam a liberação de hormônios como cortisol e adrenalina. Eles são chamados de “contrarreguladores de insulina”. O resultado é o aumento da glicose no sangue. O corpo se prepara para reagir, então mobiliza uma grande quantidade de energia10.

Esse mecanismo é uma resposta natural do corpo, mas quando frequente, pode prejudicar o controle glicêmico e o controle do peso.

Como controlar a glicemia no dia a dia

Manter os níveis de glicose sob controle é cuidado com a saúde. Algumas atitudes simples podem contribuir para isso. Entretanto, em caso de dúvidas, sintomas persistentes ou outro problema, converse com seu médico. É essencial manter o acompanhamento da sua glicemia e agir, com o apoio médico, diante de alguma alteração.

Recado dado? Vamos às dicas.

Alimentação e hidratação

A qualidade da dieta tem papel central no controle glicêmico4. O consumo de alimentos in natura ou minimamente processados é recomendado pelo Ministério da Saúde, enquanto os produtos ultraprocessados devem ser evitados11.

Sono de qualidade

Um sono ruim pode afetar a produção de insulina12. Portanto, aposte na boa higiene do sono e preze pelo descanso.

Redução de estresse

Controlar o estresse é importante para evitar alterações hormonais que elevam a glicose no sangue10.

Atividades físicas

A prática regular de exercícios contribui para o controle da glicemia e para a saúde metabólica de forma geral13.

Durante o exercício, o músculo se contrai e demanda energia, a glicose. Ele usa a glicose do sangue e, por isso, não há sobras. Como não há sobras, não há acúmulo em forma de gordura. A energia consumida é “queimada”13.

Manutenção do peso corporal

Manter um peso saudável reduz o risco de resistência à insulina e diabetes tipo 2¹.

Mulher pratica exercícios físicos ao ar livre, hábito essencial para manter a glicemia equilibrada e facilitar o emagrecimento.

Como as canetas emagrecedoras ajudam a controlar a glicemia

Medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” usam como princípio ativo substâncias como a semaglutida. Esse fármaco é chamado de análogo do receptor de GLP-1, pois atua imitando a ação desse hormônio no organismo2,3.

Ao mesmo tempo que age estimulando a liberação de insulina quando a glicose está alta, reduz a liberação de glucagon pelo pâncreas quando a glicose está alta. Com isso, reduz o apetite e aumenta a sensação de saciedade. A semaglutida ainda contribui para que ocorra um esvaziamento mais lento do estômago2,3.

Diante de tudo isso, o medicamento é usado para o controle da glicemia, sendo um aliado importante no tratamento do diabetes tipo 2. Também desempenha papel importante no tratamento da obesidade e do excesso de peso 2,3.

Vale reforçar que as canetas emagrecedoras são medicamentos prescritos, ou seja, só devem ser vendidas com receita retida e todo o tratamento deve ser feito sob orientação e acompanhamento médico.

Além disso, só há comprovação de segurança e eficácia em medicamentos regulamentados pela Anvisa. Não use medicamentos como canetas manipuladas, elas podem oferecer sérios riscos à saúde14.

A importância do acompanhamento especializado durante o emagrecimento

O acompanhamento com profissionais de saúde é fundamental para interpretar exames, orientar mudanças no estilo de vida e definir estratégias seguras e eficazes¹.

O cuidado individualizado é essencial quando o assunto é controle da glicemia e quando falamos de prevenção e manejo de condições como diabetes e obesidade¹.

Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

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