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Alimentação saudável

O perigo dos alimentos ultraprocessados no emagrecimento

Com a redução do apetite, é preciso escolher bem o que vai no prato para garantir uma nutrição adequada e boa saúde no longo prazo

Por Minha Vida na Medida

Aquela lasanha congelada para o almoço ou aquele pacote de biscoito no meio da tarde. Os alimentos ultraprocessados são soluções rápidas para o dia a dia, mas também podem ser grandes vilões para quem busca uma dieta mais equilibrada ou mesmo segue algum tratamento para perder peso1.

Imagine neste cenário: o uso de uma caneta emagrecedora, por exemplo, ajuda a reduzir o apetite, entre outros fatores2. Com menos fome, uma pequena quantidade de alimento já sacia. Então, se há quem pense: “Já que vou comer pouco, só uns biscoitos aqui já bastam. Pronto, refeição feita!”. Ou ainda: “Vou trocar o filé de frango grelhado por esse produto que já é ‘rico em proteína'”.

Se essa quantidade de alimento significar déficit calórico, ou seja, consumir menos calorias do que o organismo gasta, a pessoa acaba emagrecendo3. Mas não necessariamente teremos um emagrecimento saudável e com resultados duradouros.

O medicamento pode reduzir a fome, mas a qualidade das escolhas alimentares durante o tratamento continua sendo decisiva para preservar músculos, energia, disposição e saúde no longo prazo4.

O que são alimentos ultraprocessados?

Os alimentos ultraprocessados são produtos criados pela indústria e contam com ingredientes que dificilmente estariam presentes em uma cozinha comum. Eles costumam conter conservantes, corantes, aromatizantes, emulsificantes, espessantes e outras substâncias utilizadas para melhorar sabor, textura e durabilidade1,5.

Entre os exemplos mais conhecidos estão:

  • biscoitos recheados e outros industrializados5;
  • refrigerantes5;
  • nuggets congelados5;
  • macarrão instantâneo5;
  • salgadinhos de pacote5;
  • embutidos5;
  • sorvetes industrializados5;
  • margarina5;
  • bolos industrializados5;
  • cereais matinais açucarados5.

Como saber se um alimento é ultraprocessado?

Uma forma prática de identificar esses produtos é verificar a lista de ingredientes do rótulo. Quanto mais longa e difícil de entender ela for, maiores as chances de se tratar de um alimento ultraprocessado5.

Por que tais alimentos podem ser perigosos para a saúde?

Embora sejam extremamente palatáveis, práticos e acessíveis1, os alimentos ultraprocessados costumam ter baixa qualidade nutricional e uma longa lista de aditivos (além de altos teores de sal, açúcar e gordura)1,5.

Eles são um “quebra-galho”, mas não devem virar rotina. Diversos estudos associam o consumo frequente desses produtos a problemas como obesidade, doenças cardiovasculares, alterações metabólicas e alguns tipos de câncer5,6.

O melhor caminho é reduzir o consumo ou mesmo evitar esse tipo de alimento sempre que possível1,5.

Paradoxo da caneta: déficit calórico x qualidade dos alimentos

Medicamentos da classe dos análogos de GLP-1, como a semaglutida, agem no controle da glicemia, na redução do apetite e no aumento da sensação de saciedade. Também retardam o esvaziamento gástrico2.

Tudo isso favorece um cenário em que a pessoa tenha menos fome e se sinta saciada por mais tempo.

Também contribui para um ponto básico do emagrecimento que é o déficit calórico, ou seja, ingerir menos calorias e entrar em um estado em que o corpo gasta mais energia do que é consumido2.

Agora pense nesses dois casos: duas pessoas consomem a mesma quantidade de calorias por dia. Para ambas, isso significa estar em déficit calórico. Mas uma faz refeições com ovos, frutas, legumes, carnes magras e arroz. A segunda passa o dia com bolachas, salgadinhos e refrigerante zero, em quantidades menores.

Ambas podem perder peso. Mas os resultados para a saúde serão completamente diferentes.

Com a caneta emagrecedora, esse cenário merece ainda mais atenção porque a sensação de saciedade aparece muito mais rápido2. Por exemplo, algumas poucas bolachas podem gerar a impressão de estômago cheio. O problema é que elas passam longe de fornecer os nutrientes necessários para manter o organismo funcionando adequadamente.

Como manter a alimentação balanceada e fugir das armadilhas dos ultraprocessados

A recomendação de profissionais da saúde e dos guias alimentares é reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados1. É a premissa de “desembalar menos e descascar mais”. E isso vale para todos, estejam em processo de perda de peso ou não.

Jovem mulher sorridente em um supermercado, segurando uma cesta de compras e seu smartphone, focada na seção de hortifrúti com vegetais frescos, buscando dicas para manter uma alimentação balanceada livre de alimentos ultraprocessados.

Para isso, alguns pontos podem ser importantes.

Não se iluda pela embalagem

Ao comprar um produto no mercado, muita gente olha rapidamente a embalagem e acredita estar fazendo uma boa escolha ao selecionar itens que trazem certas palavras em destaque, como “zero açúcar”, “fonte de fibras”, “baixo teor de gordura”, “fit”, “light” e “proteico”7.

Mas esses termos contam apenas uma parte da história. Mesmo que indiquem algum benefício do produto, as informações mais importantes (e que deveriam ser consideradas pelos consumidores) costumam estar mesmo na lista de ingredientes e na tabela nutricional.

Isso porque existem alimentos vendidos como saudáveis que apresentam dezenas de ingredientes industriais, incluindo aromatizantes artificiais, adoçantes, corantes e estabilizantes, além de grandes quantidades de açúcar adicionado, gordura e sódio5. Uma barrinha de cereal muitas vezes é “light”, mas não deixa de ser um alimento ultraprocessado.

Portanto, é essencial analisar a composição real do produto antes de incluí-lo na dieta – mesmo que ele esteja na prateleira de alimentos considerados “fit”. Com os dados certos em mãos, dá para tomar decisões mais inteligentes na hora de comer.

Dê valor aos macronutrientes

Quando a semaglutida (ou outro medicamento) reduz o apetite, cada refeição passa a ter ainda mais valor. Se antes havia espaço para grandes volumes de comida, agora cada garfada precisa ser mais completa. E isso tem relação direta com os macronutrientes2.

Os macronutrientes são compostos que o corpo humano precisa para ter energia, crescer e manter tudo funcionando. Por isso, eles devem ser consumidos em maior quantidade. Na prática, eles englobam três grupos: carboidratos, proteínas e gorduras (lipídios)8.

Pensando de forma simples, os carboidratos funcionam como combustível para o organismo, enquanto as proteínas são os “tijolos” do corpo, ajudando a construir e reparar músculos, tecidos e órgãos, além de auxiliar na regulação hormonal. As gorduras, por sua vez, participam de diversas funções, desde a regulação da temperatura corporal até a manutenção das células8.

Diante dos papéis indispensáveis que esses nutrientes têm no organismo, consultar a tabela de proteína e carboidrato dos alimentos pode ser uma solução interessante para montar refeições mais equilibradas. Lembrando que, quando a fome diminui, a prioridade deve ser a densidade nutricional dos alimentos2, e não apenas a contagem de calorias.

Vale ressaltar ainda que a quantidade de macros que cada pessoa deve consumir diariamente depende de fatores e necessidades individuais6. Portanto, o ideal é sempre consultar um médico ou especialista em nutrição para saber a medida mais adequada para você!

Aposte em boas trocas para uma rotina mais saudável

Pequenas trocas já podem fazer toda a diferença, e isso também vale para quem segue um tratamento com semaglutida, outro medicamento ou apenas quer rever os hábitos alimentares.

Veja algumas ideias para trocar os considerados “piores alimentos” por lanches saudáveis e práticos.

Em vez de…Experimente…
Biscoito recheadoPão integral com abacate amassado1
Salgadinho de pacoteMix de castanhas sem sal1
Cereal açucaradoAveia com frutas e sementes1
RefrigeranteÁgua saborizada com limão, hortelã ou gengibre1
Bolinho industrializadoOvernight oats (aveia amanhecida)1
Barrinha de cerealIogurte natural (sem açúcar) com frutas1

Ao substituir os ultraprocessados na dieta, o objetivo não é buscar perfeição, mas aumentar ao máximo a presença de alimentos naturais (ou minimamente processados) na rotina. Frutas, legumes e verduras, grãos integrais, carnes, ovos, nozes e castanhas, iogurte natural, chás e leite são bons exemplos que merecem destaque no cardápio1.

Semaglutida é a ferramenta; nutrição é o alicerce

De volta à semaglutida, especialistas concordam cada vez mais que ela representa um avanço importante no tratamento da obesidade e no controle do apetite. No entanto, ela não substitui a construção de hábitos alimentares saudáveis2,4.

A caneta ajuda a comer menos. Mas continua sendo necessário escolher melhor aquilo que entra no prato. E quando a base da alimentação permanece composta por produtos industrializados, o risco é emagrecer sem realmente nutrir (e proteger) o organismo.

Por outro lado, quando a redução do apetite é acompanhada por uma dieta balanceada, os resultados costumam ser muito mais consistentes2,4.

Ainda é essencial manter o acompanhamento médico em todo o tratamento e incluir a atividade física na rotina. Os exercícios, junto com a boa alimentação, ajudam a preservar a massa muscular e trazem uma série de benefícios4.

No fim, a semaglutida pode abrir o caminho para uma vida com mais saúde, mas é a comida de verdade que sustenta a jornada.

Exibição rústica de uma abundância de alimentos naturais inteiros, incluindo caixotes de frutas tropicais misturadas (manga, uva, abacaxi), vegetais frescos e ovos de feira, representando o alicerce nutricional contra alimentos ultraprocessados.

Leia ainda: Como criar uma rotina para emagrecer com saúde e constância

Dúvidas frequentes sobre alimentos ultraprocessados

Veja ainda algumas perguntas comuns sobre o tema.

Quais são os piores alimentos ultraprocessados?

Geralmente, são aqueles que combinam excesso de sódio, açúcares adicionados, gorduras de baixa qualidade e muitos aditivos químicos, com baixo (ou nenhum) valor nutricional. Entre eles estão macarrão instantâneo, refrigerantes, biscoitos e salgadinhos1.

Como identificar alimentos ultraprocessados?

A forma mais simples é observar a lista de ingredientes. Quanto mais extensa ela for e quanto mais aparecerem nomes de aditivos, conservantes, corantes, aromatizantes, emulsificantes e adoçantes, maiores são as chances de o produto ser um alimento ultraprocessado1,5.

Quais os alimentos que devemos evitar?

O ideal é reduzir o consumo frequente de refrigerantes, embutidos, salgadinhos, macarrão instantâneo, biscoitos e outros produtos altamente processados, priorizando alimentos mais próximos de sua forma natural1.

Leia ainda:

Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

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1. The Nutrition Source. Harvard T.H. Chan School of Public Health. Processed Foods and Health. Disponível em: https://nutritionsource.hsph.harvard.edu/processed-foods/. Acesso em 13 de julho de 2026.

2. Barrea L, Annunziata G, Verde L, Galasso M, Savastano S, Colao A, Muscogiuri G. A Multidisciplinary Perspective on Semaglutide Treatment and Medical Nutrition Therapy in Obesity Management. Curr Obes Rep. 2025 Oct 23;14(1):73. doi: 10.1007/s13679-025-00667-3. PMID: 41129057; PMCID: PMC12549762. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12549762/. Acesso em 29 de junho de 2026.

3. ROMIEU, Isabelle; DOSSUS, Laure; WILLETT, Walter C. (eds.). Energy balance and obesity. Lyon: International Agency for Research on Cancer, 2017. (IARC Working Group Reports, n. 10). Disponível em: https://publications.iarc.who.int/Book-And-Report-Series/Iarc-Working-Group-Reports/Energy-Balance-And-Obesity-2017. Acesso em: 20 abr. 2026.

4. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA (ABESO). Diretrizes brasileiras de obesidade 2016. 4. ed. São Paulo: ABESO, 2016. 188 p. ISBN 978-85-93044-00-7. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2019/12/Diretrizes-Download-Diretrizes-Brasileiras-de-Obesidade-2016.pdf. Acesso em 15 de julho de 2026.

5. Monteiro CA, Cannon G, Levy RB, Moubarac JC, Louzada ML, Rauber F, Khandpur N, Cediel G, Neri D, Martinez-Steele E, Baraldi LG, Jaime PC. Ultra-processed foods: what they are and how to identify them. Public Health Nutr. 2019 Apr;22(5):936-941. doi: 10.1017/S1368980018003762. Epub 2019 Feb 12. PMID: 30744710; PMCID: PMC10260459. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30744710/. Acesso em 29 de junho de 2026.

6. Chen X, Zhang Z, Yang H, Qiu P, Wang H, Wang F, Zhao Q, Fang J, Nie J. Consumption of ultra-processed foods and health outcomes: a systematic review of epidemiological studies. Nutr J. 2020 Aug 20;19(1):86. doi: 10.1186/s12937-020-00604-1. PMID: 32819372; PMCID: PMC7441617. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7441617/. Acesso em 29 de junho de 2026.

7. Healthline. 14 ‘Health Foods’ That May Not Be as Nutritious as You Thought. Disponível em: https://www.healthline.com/nutrition/junk-health-foods. Acesso em 13 de julho de 2026.

8. Espinosa-Salas S, Gonzalez-Arias M. Nutrition: Macronutrient Intake, Imbalances, and Interventions. [Updated 2023 Aug 8]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK594226/. Acesso em 13 de julho de 2026.