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Saúde

Apneia do sono: o que é e como a perda de peso pode ajudar

A ciência mostra que emagrecer pode reduzir as noites mal dormidas e aliviar os impactos cardiovasculares associados ao distúrbio; saiba mais

Por Minha Vida na Medida

A falta de sono profundo e reparador é o primeiro passo para um dia ruim. Quem sofre com apneia do sono sabe muito bem disso…

A apneia do sono é uma condição comum e muitas vezes negligenciada, que impacta principalmente pessoas com sobrepeso ou obesidade. Sem tratamento, ela não afeta só o descanso, mas também a saúde metabólica e cardiovascular1.

Entender o que é a apneia do sono, por que ela acontece e como interfere no organismo é o começo da caminhada para resolver esse problema.

O que é apneia do sono e quais os principais sintomas?

Para entender o que é apneia do sono, ou Apneia Obstrutiva do Sono (AOS)2, no termo médico, pense no formato da garganta. Trata-se de um tubo flexível por onde o ar passa até chegar aos pulmões. Para esse tubo não fechar, contamos com a ajuda de vários músculos, que mantêm o canal aberto1.

Em quem tem apneia, no entanto, esse canal é mais estreito – seja pelo acúmulo de gordura no pescoço, que pressiona o tubo por fora, ou pelo próprio formato do rosto. Ao dormir, o relaxamento muscular da região faz com que as paredes desse canal se apertem até interromper a passagem do oxigênio1,2.

Ilustração médica comparando o perfil de uma pessoa com via aérea normal, onde o ar flui livremente, e uma com apneia do sono, mostrando o bloqueio do fluxo de ar na garganta.

Quando isso acontece, o principal sintoma durante o descanso é o ronco seguido por engasgos, reflexo dos momentos em que a respiração para completamente. Ainda é comum sentir excesso de salivação e necessidade de ir ao banheiro1,2.

Os sintomas da apneia do sono continuam durante o dia. Como o sono foi desregulado, é comum que pessoas com o distúrbio comecem o dia cansadas e com dores de cabeça. Nos casos mais graves, a sonolência é tão forte que pode causar cochilos involuntários em diversos momentos do dia e situações1,2.

Outros sinais comuns são falha na memória e dificuldade de concentração1,2.

Por que o excesso de peso é um dos maiores vilões da respiração?

O excesso de gordura, principalmente no pescoço, piora os sintomas de apneia do sono ao apertar o canal respiratório. Mas além disso, a obesidade pode aumentar a grossura da língua e reduzir o volume do pulmão, limitando o espaço para a passagem do oxigênio1-4.

Longe de ser apenas um estoque de energia, a gordura funciona ainda como um órgão que secreta hormônios e substâncias inflamatórias. Esse estado de inflamação compromete o controle cerebral da respiração, agravando os episódios de apneia3,4.

Para completar, a privação de sono desregula hormônios da fome e da saciedade, reduz a disposição para atividades físicas e gera distúrbios metabólicos, como a resistência à insulina3,4.

Esse conjunto de fatores cria um ciclo vicioso: enquanto o excesso de peso prejudica a respiração, a apneia do sono dificulta o emagrecimento3,4.

Como a perda de peso atua no tratamento da apneia?

Em muitos casos, a redução entre 5% e 10% do peso corporal já é suficiente para promover melhoras nos sintomas de apneia do sono5. Veja por que isso acontece.

Desobstrução das vias aéreas

O emagrecimento reduz o volume de gordura acumulada no pescoço e o tamanho da língua, aumentando o espaço para a passagem do ar. Dessa forma, o ar circula com menor chance de obstruções2,4,5,6.

A perda de peso também melhora o funcionamento dos pulmões ao permitir maior capacidade respiratória4.

Melhora na oxigenação do sangue e saúde cardiovascular

Ao interromper a respiração, a apneia do sono dificulta a oxigenação do corpo e coloca o organismo em estado de alerta. Isso dispara reações que podem levar ao aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial2,7.

A longo prazo, o esforço contínuo pode causar mudanças estruturais no coração, como o aumento de tamanho ou perda de elasticidade, fenômeno conhecido como remodelamento cardíaco. Em níveis extremos, essa condição pode levar à insuficiência cardíaca. A perda de peso diminui esse estresse metabólico e o risco de arritmias2,7.

Redução da dependência do CPAP

Mulher loira dormindo de lado na cama coberta por um edredom, utilizando uma máscara facial de CPAP conectada por um tubo ao aparelho na mesa de cabeceira, que é o tratamento padrão para apneia do sono.

O tratamento da apneia, nos casos mais graves, passa pelo uso do CPAP (sigla em inglês para Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas), um dispositivo que utiliza uma máscara para enviar um fluxo constante de ar às vias aéreas, mantendo a garganta aberta durante o sono2.

O CPAP é muito eficaz no alívio dos sintomas. De forma complementar, a perda de peso atua na raiz do problema, permitindo que o corpo dependa cada vez menos do auxílio mecânico para respirar2.

O papel das canetas emagrecedoras no controle da apneia do sono

As canetas emagrecedoras são medicamentos modernos e contribuem para o controle do diabetes tipo 2 e/ou para a perda de peso*. Elas imitam a ação de hormônios naturais que regulam a saciedade e o apetite, controlam a glicemia e retardam o esvaziamento gástrico8. Se usadas sob orientação médica, podem ser aliadas no tratamento de apneia do sono5,9.

Além de protegerem o coração, esses medicamentos melhoram a sensibilidade à insulina e reduzem a inflamação, o que ajuda a estabilizar os centros de controle respiratório no cérebro, facilitando a respiração noturna5,9.

É importante lembrar que o uso dessas medicações não substitui imediatamente o suporte mecânico. Enquanto o tratamento atua na perda de gordura a médio prazo, dispositivos como o CPAP ajudam na qualidade do sono e na oxigenação no curto prazo8.

Em caso de dúvida, converse com médico. Não comece ou interrompa nenhum tratamento sem a orientação do profissional da saúde.

Além do emagrecimento: outros tratamentos para apneia

Embora o dispositivo CPAP e a perda de peso sejam fundamentais para combater a apneia do sono, o tratamento da doença requer uma abordagem multifatorial2,4.

Higiene do sono e mudanças no estilo de vida são pilares essenciais para o sucesso terapêutico. Isso inclui a prática de exercícios físicos e a restrição de substâncias que promovem o relaxamento excessivo da musculatura da garganta, como o álcool e o cigarro, que podem aumentar os eventos de apneia do sono2,4.

As alternativas abaixo ainda podem contribuir para o tratamento da apneia do sono:

  • aparelhos intraorais: dispositivos que aumentam o diâmetro da via aérea2,4;
  • postura: evitar dormir de costas, posição que favorece a obstrução respiratória2,4;
  • fonoaudiologia: exercícios para fortalecer a musculatura da garganta2,4;
  • cirurgia: reservada para casos de alterações estruturais do rosto2,4.

Perguntas frequentes sobre apneia do sono

Saiba mais sobre o distúrbio.

O que a apneia do sono provoca?

A apneia obstrutiva do sono provoca roncos e pausas respiratórias que interrompem o sono, resultando em cansaço, dor de cabeça matinal e falta de concentração2.

Como melhorar a apneia?

Para melhorar a apneia do sono, é fundamental perder peso, praticar exercícios e evitar tanto o fumo quanto o álcool. Dependendo da gravidade, pode ser indicado o uso do CPAP (máscara de ar), de aparelhos orais ou até cirurgias2,4.

Qual o perigo de quem tem apneia do sono?

Pessoas com apneia do sono correm maior risco de hipertensão, AVC, arritmias, insuficiência cardíaca, diabetes e depressão. Além disso, têm mais chance de sofrer acidentes no trânsito e no trabalho por causa da sonolência que podem sentir durante o dia2,4.

Como saber se sofro de apneia do sono?

O diagnóstico de apneia do sono é feito por um exame chamado polissonografia somado a exame físico. Se você ronca alto, acorda com sensação de falta de ar, tem dores de cabeça matinais ou sente que o sono nunca descansa, procure um especialista para avaliação2,4.

Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

*Semaglutida na dosagem de 2,4 mg

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1. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Apneia do sono. Portal SBPT. Disponível em: https://sbpt.org.br/portal/publico-geral/doencas/apneia-do-sono/. Acesso em: 15 maio 2026.

2. DUARTE, Ricardo Luiz de Menezes et al. Consenso em distúrbios respiratórios do sono da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 48, n. 4, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/PdHyqJ94dYK85CHvcBHKDnb/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 15 maio 2026.

3. Esmaeili N, Gell L, Imler T, Hajipour M, Taranto-Montemurro L, Messineo L, Stone KL, Sands SA, Ayas N, Yee J, Cronin J, Heinzer R, Wellman A, Redline S, Azarbarzin A. The relationship between obesity and obstructive sleep apnea in four community-based cohorts: an individual participant data meta-analysis of 12,860 adults. EClinicalMedicine. 2025 Apr 23;83:103221.

4. MANCINI, Marcio C.; ALOE, Flávio; TAVARES, S. Apnéia do sono em obesos. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 44, n. 1, p. 81–90, 2000. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abem/a/pH3mymJq4mkf3htF4X5676P/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 15 maio 2026.

5. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA (ABESO). Diretriz brasileira de tratamento farmacológico da obesidade. 5. ed. São Paulo: Scientific, 2026. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Diretrizes-ABESO_completo_20260320.pdf. Acesso em: 15 maio 2026.

6. Gentile S, Monda VM, Guarino G, Satta E, Chiarello M, Caccavale G, Mattera E, Marfella R, Strollo F. Obstructive Sleep Apnea and Type 2 Diabetes: An Update. J Clin Med. 2025 Aug 7;14(15):5574.

7. DRAGER, Luciano F.; POLOTSky, Vsevolod Y.; LORENZI-FILHO, Geraldo. Obstructive sleep apnea: a cardiometabolic risk in obesity and the metabolic syndrome. Journal of the American College of Cardiology, v. 62, n. 7, p. 569–576, 2013. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4461232/. Acesso em: 15 maio 2026.

8. Wilding et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. N Engl J Med 2021;384:989-1002. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2032183. Acesso em: 20 mai 2026.

9. YANG, Ruifeng et al. Glucagon-like Peptide-1 receptor agonists for obstructive sleep apnea in patients with obesity and type 2 diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis. Journal of Translational Medicine, v. 23, n. 1, p. 389, 2025.

10. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA METABÓLICA E BARIÁTRICA (SBCM). Anvisa aprova Mounjaro para tratamento da apneia do sono. 2025. Disponível em: https://www.sbcm.org.br/v2/index.php/not%C3%ADcias/4386-anvisa-aprova-mounjaro-para-tratamento-da-apneia-do-sono. Acesso em: 15 maio 2026.