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Saúde

7 estratégias para lidar com as mudanças no corpo (e no peso) na menopausa

Entenda o que é menopausa, sintomas iniciais e como manter a saúde metabólica em dia com dicas práticas para controlar o peso

Por Minha Vida na Medida

A menopausa é um processo natural que as pessoas que menstruam vivem ao longo da vida. Junto da interrupção do ciclo menstrual, uma série de mudanças ocorre no corpo por conta das variações hormonais1,2.

Esse tema já deixou de ser tabu, e falar sobre os sintomas e as alterações dessa fase ajuda a tornar essa etapa mais leve e bem vivida.

O que é menopausa e por que ela transforma o metabolismo?

A menopausa é o marco biológico que sinaliza o fim da fase reprodutiva da mulher1,2. Afirma-se que a pessoa está na menopausa quando passa 12 meses consecutivos sem menstruar2,3.

Até esse momento, os ovários reduzem progressivamente sua atividade, levando à diminuição dos hormônios femininos, como o estrogênio e a progesterona. Essas mudanças hormonais estão diretamente relacionadas às transformações metabólicas e aos sintomas característicos dessa fase2.

A menopausa ainda pode ser causada por intervenções médicas, quimioterapia ou radioterapia, ou cirurgias ginecológicas que incluem a retirada dos ovários2,3.

Menopausa e o metabolismo

A chegada da menopausa transforma o metabolismo, principalmente, devido a alterações drásticas no perfil hormonal e lipídico2,3.

Com isso, tanto a composição corporal quanto o risco de doenças cardiovasculares passam por mudanças3. Por exemplo, a queda do estrogênio está associada a fatores que contribuem justamente para o aumento do risco cardiovascular após a menopausa1.

É nessa fase também que se torna ainda mais importante o controle de outros marcadores, como níveis elevados de colesterol e pressão arterial. Ainda é fundamental pensar na manutenção de hábitos saudáveis, incluindo atividade física regular, para proteger a saúde e o coração1.

Sintomas da menopausa: o que esperar e quando eles começam?

A transição para a menopausa acontece durante o climatério, período em que ocorre a perimenopausa. Esse momento é caracterizado por flutuações hormonais e períodos menstruais irregulares, e o corpo já se prepara para encerrar os ciclos menstruais2.

É nessa fase também que aparecem os sintomas da menopausa. Não é toda mulher que sente, e eles também podem variar de pessoa para pessoa2.

O climatério pode ter início por volta dos 40 anos, enquanto a menopausa acontece, geralmente, entre os 45 e 55 anos1,2.

Uma mulher madura com expressão de desconforto por calor e cansaço, com a mão na cabeça e segurando papéis, em frente a uma janela. Esta imagem ilustra os sintomas difíceis que podem surgir na menopausa.

Sintomas mais comuns da menopausa

  • Alterações menstruais: mudanças na regularidade, no fluxo e na previsibilidade dos ciclos, culminando na interrupção total2,3.
  • Sintomas vasomotores: sensações súbitas de calor no rosto, pescoço e peito, muitas vezes acompanhadas de suor, palpitações e desconforto físico (fogachos)1-3.
  • Sintomas geniturinários: ressecamento vaginal, incontinência urinária e maior risco de infecções1,3.
  • Saúde sexual: dor durante a relação sexual, ressecamento vaginal e desejo sexual reduzido1-3.
  • Sono e humor: dificuldade para dormir, insônia, alterações de humor, ansiedade e sintomas depressivos1-3.
  • Saúde musculoesquelética: dores nas articulações e músculos4.

Além dos sintomas imediatos, a queda do estrogênio traz transformações metabólicas importantes que afetam a saúde a longo prazo.

  • Perda óssea: nos primeiros 4 a 8 anos após a menopausa, a perda de massa óssea é acelerada, aumentando o risco de osteoporose e fraturas, especialmente no quadril, punho e coluna1,3.
  • Saúde cardiovascular: a queda no estrogênio, além de alterações no metabolismo e no perfil lipídico fazem o risco cardiovascular aumentar significativamente1,2.

Menopausa engorda? Dá para evitar?

O ganho de peso e o inchaço são outros sintomas frequentemente relatados por mulheres durante a transição para a menopausa. Muitas notam mais concentração de gordura na região abdominal, por exemplo2.

Em média, as mulheres podem ganhar entre 0,5 e 0,7 kg por ano com a chegada da menopausa, especialmente por conta das variações hormonais significativas e das mudanças no metabolismo5.

Antes mesmo da última menstruação, as mudanças já podem ser vistas. Enquanto estão na perimenopausa, mulheres tendem a perder cerca de 0,5% de massa magra ao ano, ao mesmo tempo em que passam a acumular gordura5.

A deficiência de estrogênio e o próprio processo natural de envelhecimento são fatores que favorecem o acúmulo de gordura. Além disso, aquela barriguinha que pode incomodar também tem a ver com esse momento. O excesso de gordura tende a se acumular justamente na região abdominal5.

Alterações da qualidade do sono e mudanças de humor, que são sintomas conhecidos do climatério e da menopausa2, podem ainda contribuir para o aumento de peso, especialmente se a pessoa é sedentária, tem o hábito de comer para lidar com emoções e consome muito alimento ultraprocessado5.

As canetas emagrecedoras podem ajudar nesse momento?

Os análogos de GLP-1, que são os medicamentos usados nas chamadas canetas emagrecedoras, como a semaglutida, têm mostrado eficácia para a perda de peso, o tratamento do diabetes e a melhora de outros fatores de risco cardiovascular5.

Ou seja, quando indicados por um médico, esse tipo de medicamento pode ajudar no emagrecimento, sempre aliado a mudanças de hábitos e de comportamento alimentar.

7 estratégias práticas para retomar o controle do seu corpo

Estudos clínicos mostram que a perda de peso também está associada à diminuição dos sintomas como fogachos, suores noturnos, palpitações e desconforto relacionados às ondas de calor6,7.

Esses efeitos são mais positivos se as mudanças começarem cedo, durante o climatério ou início da pós-menopausa6,8.

Além dos benefícios para a saúde da pessoa, essas mudanças preservam a autoestima, ajudam a manter o bom humor e promovem qualidade de vida5.

Além disso, abraçar um estilo de vida saudável é uma recomendação da Endocrine Society, sociedade médica internacional de endocrinologia, para todas as mulheres na pós-menopausa8.

Veja o que você pode fazer para encarar esse momento com mais bem-estar.

Uma mulher madura com cabelos cacheados e expressão serena, segurando uma xícara de chá perto de um buquê de flores secas e azuis. Representa uma estratégia de autocuidado e bem-estar para lidar com os sintomas da menopausa.

1. Medicamentos e terapias, quando indicado

Seu ginecologista pode indicar medicamentos e terapias que ajudam a enfrentar os sintomas incômodos do climatério e da menopausa1.

Tanto a terapia hormonal quanto alguns medicamentos podem ser usados para amenizar ondas de calor, fogachos, distúrbios do sono e questões relacionadas à saúde íntima, como ressecamento vaginal, dor na relação e baixa na libido1.

Reforçamos que essas terapias devem sempre ser discutidas com um médico para avaliar os benefícios e riscos de forma individualizada. Nenhum medicamento deve ser usado sem orientação.

2. Cuidados com a saúde óssea

Manter uma dieta equilibrada e nutritiva é essencial para a saúde antes, durante e depois da menopausa. Estratégias como manter o consumo adequado de cálcio e os níveis de vitamina D, aumentar exercícios com sustentação de peso e prevenir quedas, além de parar de fumar e evitar álcool excessivo, ajudam a manter os ossos fortes1,8.

3. Ingestão adequada de proteína

Garantir a ingestão diária suficiente de proteína também é importante para a manutenção de massa magra e a formação de músculos, especialmente para quem está no processo de emagrecimento9.

Vale ressaltar que a perda de peso, especialmente a mais acelerada, com ou sem uso das canetas emagrecedoras, frequentemente gera perda de massa muscular junto da queima de gordura. Isso, somado à baixa ingestão de proteína, aumenta o risco de sarcopenia (perda progressiva de massa e força)9.

Por isso, inclua proteína na rotina! Para mulheres na menopausa a indicação é ingerir de 1 a 1,2 g/kg/dia. Esse valor pode variar de acordo com necessidades individuais e volume de exercício. De uma forma ou de outra, o consumo abaixo de 0,5 g por kg é considerado insuficiente9.

Se quiser entender o quanto desse nutriente você precisa por dia, utilize a nossa calculadora de proteína. Basta inserir seu peso, seu nível de atividade física e seu objetivo, e a ferramenta faz o cálculo da sua meta diária de proteína.

A ferramenta ajuda, mas não substitui a consulta com um nutricionista para pensar em um plano alimentar individualizado, de acordo com as suas necessidades e estilo de vida.

Inclusive, se estiver usando semaglutida ou alguma caneta emagrecedora, é essencial seguir com acompanhamento nutricional adequado9.

4. Treino de força como “remédio”

A prática de atividade física atua diretamente nas transformações corporais típicas da menopausa, sendo essencial para a manutenção da saúde metabólica, da saúde muscular e da saúde óssea1.

E por mais que a dieta esteja nutricionalmente adequada, com a ingestão recomendada de proteína, sozinha ela não tende a preservar a massa muscular. É preciso somar à dieta a prática de exercícios de resistência e aeróbicos para manter músculos em dia e ganhar mais massa9.

Leia também: Como preservar e ganhar massa muscular durante a jornada de emagrecimento

5. Controle da inflamação sistêmica

A menopausa é considerada um estado pró-inflamatório. Isso ocorre porque o estrogênio, cujos níveis caem drasticamente durante esse período, exerce a função de um potente agente anti-inflamatório no organismo10.

Essa inflamação crônica pode agravar disfunções metabólicas e imunológicas (como o ganho de peso, a resistência à insulina e o enfraquecimento das defesas do corpo)10.

A estratégia aqui é apostar em mudanças no estilo de vida, visando controlar essa inflamação. A combinação de exercícios aeróbicos, dieta adequada e suplementação de ômega-3, quando indicado, já demonstrou efeito positivo na saúde das mulheres11.

De modo geral, uma dieta anti-inflamatória inclui alimentos ricos em:

  • ômega-3 (salmão, semente de chia e nozes)12;
  • vitamina C (frutas cítricas, brócolis, couve-flor)12;
  • polifenóis (frutas vermelhas e uvas escuras)12;
  • probióticos (iogurte natural) e prebióticos (alho, cebola, aveia, banana)12.

Ao mesmo tempo, é importante reduzir o consumo ou evitar:

  • carne vermelha12;
  • carne processada12;
  • alimentos ultraprocessados12;
  • alimentos ricos em farinha branca12;
  • frituras12;
  • alimentos com açúcar adicionado12;
  • gordura trans12.

6. Higiene do sono

Higiene do sono é o nome dado a um conjunto de práticas que ajudam a regular o sono e a reduzir o estresse. Como a menopausa pode impactar a qualidade do sono, criar e manter os seguintes hábitos pode ajudar:

  • estabelecer e seguir horários definidos de dormir e acordar13;
  • evitar o consumo de bebidas estimulantes e alimentos pesados no jantar13;
  • evitar ingerir líquidos próximo da hora de dormir13;
  • evitar o uso de telas, como celulares, televisão e tablets na cama (o ideal é não usar pelo menos uma hora antes de dormir)13;
  • manter o ambiente arejado, silencioso, tranquilo e escuro, propício para o descanso13;
  • se possível, controlar a temperatura do quarto13;
  • evitar banhos muito quentes antes de dormir13.

Adotar práticas relaxantes antes de dormir também é uma boa ideia. Já manter a frequência dos exercícios físicos é essencial também pela qualidade do sono13.

A terapia cognitivo-comportamental é uma abordagem psicoterapêutica que já se mostrou positiva para os distúrbios do sono e pode ser uma aliada para quem está sofrendo com esse sintoma da menopausa4.

7. Acompanhamento médico

O acompanhamento médico durante a menopausa é fundamental para monitorar a saúde de forma preventiva e identificar possíveis problemas precocemente1.

Além disso, o acompanhamento clínico permite avaliar como estão os tratamentos e todas as demais estratégias citadas aqui.

Em geral, recomenda-se uma revisão inicial após cerca de três meses do início do tratamento para os sintomas da menopausa. Depois, o ideal é manter avaliações anuais, podendo ser antes, caso surjam efeitos colaterais ou falta de resposta ao tratamento4.

Uma mulher de meia-idade sorrindo enquanto faz exercícios de bíceps com pequenos halteres amarelos em sua sala de estar. Uma imagem focada na estratégia de atividade física para gerenciar o peso e a massa muscular na menopausa.

Perguntas frequentes sobre menopausa

Veja abaixo as perguntas mais frequentes sobre a menopausa e seus efeitos.

Quanto tempo dura a menopausa?

A menopausa não é um período, mas um marco. Ela corresponde ao fim da fase reprodutiva. Já a transição para a menopausa pode durar vários anos. Em média, essa fase dura cerca de 4 anos, mas pode variar bastante entre as mulheres1,2.

Com quantos anos a mulher entra na menopausa?

Geralmente, a menopausa ocorre entre 45 e 55 anos, como parte natural do envelhecimento. Também pode acontecer antes disso, inclusive antes dos 40 anos, por conta de cirurgias ou tratamentos médicos2,3.

Como fica a menstruação na pré-menopausa?

A menstruação antes da menopausa, ou seja, na perimenopausa, pode ficar irregular: ela pode atrasar, adiantar ou até falhar. O fluxo também pode variar, ficando mais leve ou mais intenso1.

Quais são os primeiros sinais da menopausa?

Geralmente, os primeiros sinais da menopausa começam com alterações no ciclo menstrual3. As ondas de calor, os fogachos, costumam ser bem comuns nesse período2.

Quais são as 3 fases da menopausa?

Perimenopausa (transição), menopausa (última menstruação) e pós-menopausa3.

Menopausa engorda?

A menopausa pode favorecer o ganho de peso e o inchaço. Isso é comum durante a transição hormonal2.

Como não engordar na menopausa?

Para evitar o ganho de peso na menopausa é importante manter uma rotina com atividade física regular, alimentação equilibrada e bons hábitos de sono. Também ajuda cuidar do emocional e, se necessário, contar com orientação médica para ajustar estratégias e combinar tratamentos com medicamentos5.

Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

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