Dislipidemia: o que é e como baixar o colesterol
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Saúde

O que é dislipidemia e como cuidar do seu colesterol

Entenda o que causa excesso gordura no sangue, a relação com o peso e como proteger o coração

Por Minha Vida na Medida

A dislipidemia é o termo técnico usado para descrever o excesso de gordura no sangue, seja pelo aumento do colesterol ruim, pela redução do colesterol bom ou pela alteração nos triglicerídeos1.

Embora seja uma condição silenciosa na maioria das pessoas, a longo prazo, pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC)1,2.

O diagnóstico de dislipidemia depende principalmente da interpretação do exame de sangue, o que gera muita confusão devido à quantidade de nomes e siglas envolvidos nesse entendimento, como HDL, LDL, VLDL e triglicerídeos.

Se você recebeu esse diagnóstico ou ficou em dúvida após uma consulta médica, vamos traduzir neste artigo o que é dislipidemia, quais os níveis recomendados de colesterol e como baixar os níveis de gordura no sangue.

Lembrando que esse conteúdo não substitui a consulta médica, combinado? Qualquer dúvida ou sintoma, procure um profissional de saúde.

Afinal, o que é dislipidemia?

Imagine as artérias como o encanamento de uma casa, por onde o sangue precisa fluir livremente para nutrir os “cômodos”.

Na dislipidemia, algumas gorduras presentes no sangue podem se acumular nas paredes desses “canos”. Com o passar do tempo, esse acúmulo pode contribuir para a formação de placas que dificultam a passagem do sangue1-3.

Ou seja, a dislipidemia é o excesso de gordura no sangue e está relacionada a alterações tanto no colesterol quanto nos triglicerídeos1. E todo esse processo compromete a saúde.

O acúmulo de gordura nas paredes das artérias está associado a um processo inflamatório e à formação de placas, processo conhecido como aterosclerose1-3.

Se uma dessas placas se desprende, ela pode bloquear o fluxo de sangue de forma abrupta. Esse entupimento repentino pode desencadear eventos graves, como o infarto e o AVC1-3.

Entendendo o que são colesterol e triglicerídeos

As gorduras, também conhecidas como lipídeos, formam um grupo de substâncias essenciais para o funcionamento do organismo. Entre os principais tipos estão o colesterol e os triglicerídeos, cada um com funções específicas2,3.

O colesterol participa da formação das células e da produção de hormônios e vitamina D, enquanto os triglicerídeos representam a principal forma de armazenamento de energia do corpo2,3.

Para exercer essas funções, os lipídeos devem ser transportados até os órgãos onde serão utilizados. Eles são levados por veículos chamados lipoproteínas, cujos nomes são os velhos conhecidos presentes no exame de sangue: como o LDL e o HDL, conhecidos popularmente como “colesterol ruim” e “colesterol bom”, respectivamente)2,3.

Colesterol total e a diferença entre LDL e HDL

As transportadoras de lipídeos mais conhecidas são o LDL e o HDL, mas elas não são as únicas. Também existem outras lipoproteínas, como a VLDL e a IDL, que participam do transporte de gorduras pelo organismo3.

O LDL é popularmente conhecido como “colesterol ruim” porque leva o colesterol do fígado para os tecidos e, quando está em excesso, pode favorecer o acúmulo de gordura nas paredes das artérias, formando as placas características da aterosclerose3.

Já o HDL é chamado de “colesterol bom” porque faz o caminho inverso. Ele recolhe o excesso de colesterol dos vasos sanguíneos e o transporta de volta ao fígado, onde pode ser reutilizado ou eliminado3.

O colesterol total representa a soma do colesterol transportado por todas as lipoproteínas, embora o LDL e o HDL sejam os principais marcadores utilizados para avaliar o risco cardiovascular3.

O que são triglicerídeos (ou triglicérides)?

Enquanto o colesterol foca em construir células e hormônios, os triglicerídeos, também chamados de triglicérides, são o estoque de combustível do nosso organismo3.

Toda vez que você consome mais calorias do que gasta, o fígado transforma essa sobra de energia em triglicerídeos e os guarda no tecido adiposo em forma de gordura3.

Em excesso, os triglicerídeos podem estar associados a um maior risco cardiovascular e, quando atingem níveis muito elevados, podem causar uma inflamação no pâncreas, chamada pancreatite3.

Quais os valores normais do colesterol e dos triglicerídeos?

Mão com luva médica branca segurando um tubo de ensaio com sangue contendo o rótulo "LDL - Test", utilizado para medir os níveis de colesterol e diagnosticar a dislipidemia.

De forma geral, estes são os valores recomendados para adultos:

  • colesterol total: abaixo de 190 mg/dL1;
  • triglicerídeos: abaixo de 150 mg/dL1;
  • HDL: acima de 40 mg/dL1.

No caso do LDL, a meta varia de acordo com o risco cardiovascular:

Risco CardiovascularMeta de LDL
Baixo riscoMenor que 115 mg/dL1
IntermediárioMenor que 100 mg/dL1
Alto riscoMenor que 70 mg/dL1
Muito alto riscoMenor que 50 mg/dL1
Risco extremoMenor que 40 mg/dL1

Antes de interpretar o resultado do exame, é importante lembrar que os valores de referência podem variar conforme o perfil de risco cardiovascular de cada pessoa. Por isso é fundamental levar seus exames para que seu médico avalie tanto os resultados quanto a sua saúde de forma geral.

O que causa dislipidemia

Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a dislipidemia pode ter causas primárias (de origem genética) e secundárias (resultantes de outros fatores, como alimentação, doenças e uso de determinados medicamentos)1.

Relação entre estilo de vida, hábitos alimentares e dislipidemia

Alguns comportamentos podem favorecer o acúmulo de gordura no sangue:

  • dieta rica em gorduras saturadas, gorduras trans e açúcares refinados1;
  • sedentarismo e inatividade física1;
  • obesidade e sobrepeso1;
  • consumo excessivo de álcool (que eleva significativamente os triglicerídeos)1.

Doenças e condições de saúde também influenciam

O diabetes mellitus tipo 2 e a síndrome metabólica estão frequentemente associados à dislipidemia, resultando em alterações no colesterol e nos triglicerídeos. Já o hipotireoidismo é uma das causas secundárias mais comuns de elevação isolada do colesterol LDL1.

Além disso, a dislipidemia pode ter relação com doenças renais e hepáticas1.

Causas genéticas da dislipidemia

Nem toda dislipidemia é causada por má alimentação ou sedentarismo. Algumas pessoas herdam alterações genéticas que fazem o colesterol, principalmente o LDL, permanecer muito elevado desde a infância, mesmo com hábitos saudáveis3.

Nesses casos, conhecidos como dislipidemias familiares, o risco de infarto e outras doenças cardiovasculares pode surgir mais cedo3.

Por isso, quem tem casos de colesterol muito alto ou histórico de infarto precoce na família deve conversar com um médico para investigar essa possibilidade e iniciar o tratamento o quanto antes3.

A relação entre dislipidemia, obesidade e as canetas emagrecedoras

O excesso de peso, principalmente quando há acúmulo de gordura visceral (aquela que envolve os órgãos) e abdominal, favorece o aumento dos triglicerídeos, a redução do HDL e alterações no LDL. Por isso, alcançar e manter um peso saudável é uma importante estratégia para controlar a dislipidemia1,3.

Mesmo uma perda de 5% a 10% do peso corporal pode reduzir significativamente os triglicerídeos e aumentar o HDL, trazendo benefícios para a saúde do coração1.

Outro mecanismo importante é a resistência à insulina, comum em pessoas com excesso de peso. Nessa condição, o organismo passa a utilizar a insulina de forma menos eficiente, o que favorece o aumento da produção de lipoproteínas ricas em triglicerídeos e dificulta a remoção dessas gorduras da circulação, agravando ainda mais a dislipidemia3.

Nesse contexto, as canetas emagrecedoras de semaglutida têm mostrado benefícios para o controle de peso e redução de fatores de risco cardiovascular4-6.

Ao controlarem a glicemia, reduzirem o apetite e aumentarem a sensação de saciedade, contribuem para a perda de peso e melhoram a sensibilidade à insulina. Além disso, estão associadas à melhora do perfil lipídico e contribuem para reduções discretas, mas consistentes, de triglicerídeos e colesterol total1.

Por isso, quando indicada por um médico e associada a mudanças no estilo de vida, a semaglutida pode ajudar não apenas a controlar o peso, mas também a atuar na dislipidemia e a reduzir o risco de eventos cardiovasculares1,4,5,6.

Leia ainda: Doenças cardiovasculares comuns e ação protetora da semaglutida

Como baixar o colesterol e controlar a dislipidemia na prática

Mulher de cabelos cacheados sorrindo de olhos fechados enquanto come uma colherada de uma tigela saudável com cereais, aveia e frutas vermelhas, ilustrando a dieta para o controle da dislipidemia.

Para resultados duradouros, o ideal é combinar a perda de peso com as medidas a seguir.

Invista em uma alimentação equilibrada

Mais importante do que cortar completamente gorduras ou carboidratos é adotar um padrão alimentar baseado em alimentos naturais ou minimamente processados1.

Dê preferência a frutas, verduras, legumes, grãos integrais, aveia e outras fontes de fibras, que ajudam a reduzir a absorção do colesterol e favorecem sua eliminação pelo organismo1.

Também é recomendado substituir as gorduras saturadas, presentes em carnes gordurosas e alimentos ultraprocessados, por gorduras insaturadas, encontradas no azeite de oliva, abacate, castanhas, sementes e peixes1.

Além disso, reduza o consumo de refrigerantes e farinhas refinadas, pois esses alimentos podem elevar os triglicerídeos e aumentar o risco cardiovascular1.

Pare de fumar

Parar de fumar é uma das medidas mais importantes para proteger o coração e os vasos sanguíneos e reduzir o risco cardiovascular. O cigarro favorece a inflamação, reduz os níveis de HDL e aumenta significativamente o risco de infarto e AVC1.

A boa notícia é que os benefícios começam rapidamente após abandonar o tabagismo. Cerca de um ano depois de parar de fumar, o risco de infarto pode cair pela metade1.

Para quem tem dificuldade em deixar o cigarro, o tratamento pode incluir acompanhamento profissional, terapia comportamental e medicamentos, como reposição de nicotina, quando indicados pelo médico1.

Faça atividades físicas

A prática regular de exercícios também é uma das estratégias mais eficazes para controlar a dislipidemia. A atividade física ajuda a aumentar o HDL, reduzir os triglicerídeos e melhorar a saúde cardiovascular como um todo1.

A recomendação para adultos é realizar pelo menos 150 minutos por semana de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade intensa, além de incluir exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana1.

Para quem é sedentário, vale lembrar que qualquer movimento é melhor do que nenhum. Comece com caminhadas curtas e aumente o tempo gradualmente1.

Veja ainda: 10 exercícios para fazer em casa na jornada de emagrecimento

Siga o tratamento e os medicamentos indicados pelo seu médico

Quando a alimentação, a atividade física e a perda de peso não são suficientes para controlar a dislipidemia, o médico pode indicar o uso de medicamentos.

As estatinas, uma das terapias mais estudadas e consolidadas da cardiologia, continuam sendo o tratamento de primeira linha. Elas reduzem o colesterol LDL e diminuem significativamente o risco de doenças cardiovasculares1.

Dependendo do perfil de cada paciente, outras medicações podem ser associadas às estatinas. A escolha do tratamento é individualizada e leva em conta o risco cardiovascular, os níveis de colesterol e o histórico de saúde de cada pessoa1.

Perguntas frequentes sobre dislipidemia

A seguir, respondemos às dúvidas mais comuns sobre dislipidemia para ajudar você a se informar ainda mais sobre esse quadro.

O que é uma pessoa com dislipidemia?

Uma pessoa com dislipidemia apresenta alterações nos níveis de gorduras do sangue, como colesterol e triglicerídeos. Isso pode incluir colesterol LDL elevado, HDL baixo, triglicerídeos altos ou uma combinação dessas alterações, aumentando o risco de doenças cardiovasculares1-3.

Dislipidemia tem cura?

Na maioria dos casos, a dislipidemia pode ser controlada com alimentação saudável, atividade física, perda de peso e, quando necessário, medicamentos. Com o tratamento adequado, é possível reduzir o risco de infarto, AVC e outras complicações1-3.

Como diminuir a dislipidemia?

O tratamento inclui mudanças no estilo de vida, como uma alimentação rica em fibras e alimentos minimamente processados, prática regular de exercícios, controle do peso, abandono do cigarro e uso de medicamentos, quando prescritos pelo médico. O objetivo é atingir níveis adequados de colesterol e triglicerídeos e proteger a saúde do coração1.

Importante: o conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

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1. Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, et al. Brazilian Guideline on Dyslipidemias and Prevention of Atherosclerosis - 2025. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640. Published 2025 Dec 1.

2. BRASIL. Ministério da Saúde. Dislipidemia: prevenção de eventos cardiovasculares e pancreatite. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/d/dislipidemia/view. Acesso em: 13 jul. 2026.

3. GUYTON, Arthur C.; HALL, John E. Tratado de fisiologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.

4. Miranda S, Choudhari J, Chauhan N, Parmar MS. Impact of semaglutide on lipid profiles in overweight and obese non-diabetic adults: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. European Journal of Pharmacology. 2025;1003:177953. doi:10.1016/j.ejphar.2025.177953.

5. ALKHATIB, Mesk et al. The multifaceted effects of semaglutide: exploring its broad therapeutic applications. Future Science OA, v. 11, n. 1, 2025. DOI: https://doi.org/10.1080/20565623.2025.2483607

6. XIANG, J. et al. Clinical effectiveness of semaglutide on weight loss, body composition, and muscle strength in Chinese adults. European Review for Medical and Pharmacological Sciences, v. 27, p. 9908-9915, 2023.