Os medicamentos análogos de GLP-1, apresentados em canetas, vêm ganhando cada vez mais espaço no mercado farmacêutico e têm mudado a relação das pessoas com diferentes setores, impactando o comportamento do consumidor.
Muito se fala em opções de alimentos com mais proteína. Restaurantes já notam a preferência por cardápios com porções menores1.
Mas não é apenas no setor de alimentos que é possível notar os impactos das canetas. Moda e mercado de wellness também são afetados.
Enquanto a indústria farmacêutica investe em tecnologia e novos medicamentos, os mercados buscam se adaptar ao novo comportamento do consumidor.
Tratamentos modernos e o impacto no mercado global
Embora ainda não exista um número preciso de usuários de canetas à base de GLP-1 no mundo, estima-se que cerca de 27% da população global possa se beneficiar desses medicamentos no tratamento da obesidade e de doenças associadas2.
Os reflexos disso já são notados no momento e podem ser ainda maiores no longo prazo. Por exemplo, pesquisas apontam que os análogos de GLP-1 podem reduzir a ingestão energética diária em aproximadamente 720 a 990 calorias3.
Tem mais! Nos Estados Unidos, por exemplo, famílias com pelo menos um usuário de canetas emagrecedoras reduziram, em média, 5% dos gastos com supermercados nos seis primeiros meses de tratamento4.
A maior queda ocorre na compra de alimentos considerados menos saudáveis. As vendas de snacks salgados, por exemplo, diminuíram cerca de 10%, acompanhadas por uma redução na aquisição de bebidas açucaradas4.
Da mesma forma, redes de fast-food e lanchonetes registraram uma retração média de 8% nos gastos de consumidores que utilizam os medicamentos4.
Os medicamentos análogos de GLP-1 atuam imitando a ação desse hormônio no organismo. Com isso, contribuem para o controle da glicemia, a redução do apetite e o aumento da sensação de saciedade, além de retardar o esvaziamento gástrico5. Tudo isso colabora para que haja uma redução na ingesta alimentar6,7.
Além disso, ao longo do tratamento, e com a ajuda de profissionais de saúde, é esperado que também sejam adotadas mudanças consistentes no estilo de vida. Essa é uma oportunidade para cuidar da saúde de forma mais ampla e repensar hábitos relacionados à alimentação e à prática de atividade física.
Atento a esse novo perfil de comportamento do consumidor, o mercado sente os efeitos e busca se adaptar.
Novos produtos dominam as prateleiras dos mercados
Com a popularidade das canetas, ficou mais comum ouvir pessoas comentarem que precisam “bater a sua meta de proteína”.
Que a proteína é um nutriente essencial e deve estar presente na alimentação, muita gente já sabe. Consumir a quantidade adequada de proteína ajuda a preservar a massa muscular (com a prática de exercícios de força) e traz uma série de benefícios8.
Tudo isso é ainda mais importante quando se está em um tratamento com semaglutida. É essencial manter o aporte adequado de nutrientes, incluindo a proteína para manter o organismo funcionando bem e não perder músculo com gordura durante o emagrecimento9.
Esse contexto favorece um movimento que pode ser notado nos mercados ou mesmo nas redes sociais. Cada vez mais há opções de alimentos dos mais diversos tipos “ricos em proteínas”. São shakes, barrinhas, lanches… São opções que parecem mais simples para ajudar a bater a tal meta de proteína.

Mudanças no padrão de consumo alimentar no Brasil
Por aqui também não faltam opções “ricas em proteínas”. E o setor gastronômico vem notando mudanças no comportamento do consumidor quando ele sai para comer com a família ou amigos.
Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 61% dos estabelecimentos do país identificam mudanças de consumo originadas pelo uso de canetas1.
Para atender às novas demandas desse público, bares e restaurantes têm reformulado seus cardápios e ampliado a oferta de porções menores, pensando em menus executivos adaptados que se adequem às novas exigências do público1.
A pesquisa da Abrasel mostra que quase dois terços dos empresários observaram aumento na procura por miniporções e por pratos para compartilhar, enquanto mais de 70% relataram crescimento na preferência por preparações mais leves e saudáveis1.
Da moda ao bem-estar: setores que acompanham a evolução
Com projeções de que o mercado global de medicamentos à base de GLP-1 dobre de tamanho até 2030, especialistas apontam que essa mudança no comportamento do consumidor tende a influenciar outros setores da economia4.
A indústria da moda, por exemplo, é uma das mais sensíveis às mudanças. A perda de peso muda não só a numeração das roupas, mas também a forma de comprá-las10.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), cresce a demanda por peças com modelagens adaptáveis, tecidos mais elásticos e soluções que acompanhem as diferentes etapas do emagrecimento10.
O que é esperado do comportamento de consumo no futuro?
O fato é que as canetas emagrecedoras são uma excelente alternativa para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 25. E aqui estamos falando dos medicamentos com registro na Anvisa, que devem ser utilizados com orientação médica.
Medicamentos como a semaglutida representam um avanço no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, mas não devem ser usados de forma indiscriminada e nem para fins estéticos, como alerta a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)11.
Além disso, é preciso aliar ao tratamento mudança de hábitos alimentares, buscando uma dieta mais equilibrada, e prática regular de atividade física5.
Enquanto médicos e profissionais da saúde se esforçam para levar informação à população, os mercados precisam se adaptar às novas realidades. O desafio é atender a esse consumidor, que está cada vez mais exigente, e oferecer opções que se adequem ao novo estilo de vida dele.
Do outro lado, cabe ao consumidor o papel essencial de questionar, buscar informação qualificada e trilhar um processo de perda de peso e cuidado com a saúde de forma consciente.
Importante: o conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.




