Aquele cansaço inexplicável, a barriga crescendo, a baixa na libido. Esses podem ser indícios da andropausa1 que impactam a saúde do homem e até mexem com a vida do casal.
Embora muita gente use o termo “menopausa masculina” para explicar a andropausa, esse apelido mais confunde do que ajuda a entender o distúrbio. Isso porque, diferente do que ocorre com as mulheres, o processo de mudanças hormonais no envelhecimento do homem é mais lento e gradual – e pode passar despercebido por anos1,2.
Além disso, existe uma barreira cultural, pois, ao contrário das mulheres, os homens raramente mantêm o hábito de realizar consultas médicas de rotina3.
O resultado é que muitos se conformam com a perda progressiva do bem-estar, acreditando ser apenas o peso da idade, em vez de buscar tratamento.
Nesse caso, o apoio da família faz toda a diferença. Encarar a andropausa não como um problema individual dele, mas como uma fase para ser vencida a dois, pode ser uma alternativa para recuperar a qualidade de vida do casal.
O que é andropausa e quando ela começa?
A andropausa é uma síndrome causada pelo baixo nível de testosterona nos homens1,2,4.
Na prática, a testosterona é o hormônio responsável por formar e sustentar as características do homem. É durante a adolescência que a sua produção dispara e faz os pelos crescerem, engrossa a voz, desenvolve a musculatura, fortalece os ossos e acelera todo o metabolismo2,5.
A produção de testosterona se mantém estável pela maior parte da vida adulta, sendo direta ou indiretamente responsável pela memória, saúde dos ossos, metabolismo, assim como pela manutenção da libido e função sexual2,5.
O corpo diminui a produção desse hormônio a partir dos 40 ou 50 anos de idade, mas como a queda acontece de forma gradual e varia de acordo com a genética e os hábitos de vida, a andropausa pode levar décadas para aparecer2,4.
A medicina define essa condição como Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM)2,4. O quadro ainda é conhecido pela literatura médica como Hipogonadismo Masculino Tardio. Todos esses termos se referem à andropausa1.
Sinais de alerta: como identificar a baixa testosterona após os 40 anos?
O diagnóstico da andropausa deve ser feito por um médico especialista, pois leva em consideração a dosagem de testosterona matinal no sangue* associada a sintomas físicos específicos1 como:
- Diminuição da libido e do desejo sexual: a queda no interesse pela intimidade pode ser acompanhada de mudanças na qualidade e na frequência das ereções1,2,4;
- Perda de músculos: sensação de que a força física diminuiu e que os músculos perderam o volume, mesmo sem nenhuma alteração na rotina1,2,4;
- Aumento da gordura abdominal: o ganho de peso se concentra na região da barriga1,2,4;
- Alterações de humor: oscilações inexplicáveis no dia a dia, falta de motivação, irritabilidade ou até mesmo sentimentos de tristeza profunda1,2,4;
- Sono e cansaço crônico: fadiga que não melhora nem após dormir1,2,4;
- Ossos frágeis: perda de densidade óssea, que aumenta o risco de osteoporose1,2,4;
- Diminuição dos testículos: a redução é um sinal físico de que a “fábrica natural” de testosterona do corpo diminuiu o ritmo1,2,4.

Por que a barriga aumenta na andropausa?
Já vimos que uma das consequências da andropausa é o aumento da gordura abdominal. Isso acontece principalmente porque a testosterona ajuda a manter o corpo mais ativo e os músculos fortes e saudáveis6.
Se os níveis do hormônio são insuficientes, o metabolismo diminui. Com isso, mesmo comendo a mesma quantidade de sempre, o corpo tende a acumular gordura, já que gasta menos calorias para as funções básicas e vitais6.
Além disso, vale lembrar outra ação da testosterona no organismo. Normalmente, ela bloqueia a lipase lipoproteica (LPL), uma enzima que armazena tecido adiposo. Sem testosterona suficiente, esse bloqueio falha, abrindo caminho para o acúmulo de gordura na região da barriga6.
Leia ainda: Saiba o que fazer para perder gordura abdominal
Estratégias para aliviar os sintomas e retomar a vitalidade
A reposição de testosterona, quando houver indicação, é uma das maneiras de aliviar os sintomas da andropausa. Ela deve ser feita com o acompanhamento rigoroso de um médico especialista1. Também é essencial instituir mudanças no estilo de vida.
Confira as principais estratégias que podem contribuir para a melhora no bem-estar nesse momento.
Atividade física
Praticar exercícios físicos regularmente, aliado a uma alimentação equilibrada, ajuda a emagrecer, o que pode interromper o ciclo de redução de testosterona provocado pelo excesso de gordura corporal7,8.
Além disso, a musculação contribui para aumentar os níveis de testosterona ao sinalizar para o organismo produzir hormônios com o objetivo de reparar os músculos após o exercício7,8.
Dieta equilibrada, com menos açúcares e gorduras
Alimentos com muito açúcar e gorduras saturadas ajudam a inflamar o corpo, contribuindo para a queda de testosterona associada à obesidade. Refrigerantes e bebidas alcoólicas também são contraindicados para quem busca aliviar os sintomas da andropausa6,7.
O mais importante é ter uma alimentação balanceada, colorida e diversificada, evitando, por exemplo, os alimentos ultraprocessados. Uma boa estratégia é aumentar e variar o consumo de frutas, legumes e verduras6,7. Se tiver dúvida, converse com um nutricionista para entender mais sobre a alimentação nesse momento.
Sono de qualidade
É durante o sono profundo que o corpo realiza a maior parte da sua manutenção endócrina. Além disso, sem descanso, o estresse (cortisol) sobe e trava a produção hormonal5,7.
Saiba mais: Passo a passo para fazer higiene do sono e ter noites de descanso real
As canetas emagrecedoras podem ajudar na andropausa?
As chamadas canetas emagrecedoras, como aquelas que usam a semaglutida como princípio ativo, são indicadas para o tratamento do diabetes e/ou controle de peso**9.
Voltando para o tema da andropausa, vale relembrar a relação entre o ganho de peso e as mudanças nos hormônios do homem6,7.
Ao mesmo tempo em que a queda de testosterona desacelera o metabolismo e favorece o acúmulo de gordura, o excesso de tecido adiposo inflama o organismo e acelera a destruição do hormônio6,7.
Romper esse ciclo por meio do emagrecimento, mudança de comportamento alimentar e inclusão de atividade física ajuda a recuperar o equilíbrio hormonal e o bem-estar6,7.
Nesse contexto, as canetas podem ser indicadas para auxiliar na perda de peso e, com isso, contribuir para uma melhora da saúde metabólica como um todo9.
Importante ressaltar que as canetas são medicamentos prescritos e só devem ser usadas sob indicação e com acompanhamento médico.
Como o casal pode enfrentar a andropausa juntos

Mais do que desequilibrar o metabolismo, a andropausa atinge a autoestima do homem e abre espaço para muitas inseguranças. Para ajudá-lo neste tratamento, um primeiro passo é não tratar a questão como um “problema dele” e focar no bem-estar do casal.
Em vez de falar “você precisa se tratar”, experimente sugerir um “check-up de casal”, para que os dois cheguem na melhor idade com vitalidade para aproveitar a fase juntos.
No dia a dia, tudo fica mais fácil quando a família adota novos hábitos juntos. Ao praticarem atividades físicas ou seguirem uma dieta equilibrada em conjunto, o homem se sente acompanhado na jornada, em vez de se sentir cobrado. Esse apoio faz toda a diferença!
Dessa forma, a postura da família fortalece a saúde física dele e a conexão emocional, provando que vocês são um time preparado para qualquer fase.
Perguntas frequentes sobre andropausa
Separamos ainda algumas dúvidas sobre o tema.
Quais os principais sintomas da andropausa de um homem?
Os principais sintomas da andropausa são diminuição do desejo sexual, cansaço, mudanças de humor, perda de músculos, aumento da gordura na barriga e diminuição dos testículos1,2,4.
Qual idade um homem entra na andropausa?
Não há idade definida para o homem entrar na andropausa. Embora a produção de testosterona comece a diminuir a partir dos 40 anos, o distúrbio está relacionado também a fatores genéticos e hábitos de vida1,2,4.
O que é bom para o homem tomar na andropausa?
O principal tratamento da andropausa é a reposição de testosterona, que deve ser prescrita exclusivamente por um médico especialista. Além disso, é indicado aumentar o consumo de frutas, verduras e legumes e reduzir os açúcares e as gorduras na dieta1,4,7.
Andropausa também dá calor?
Embora menos comuns que na menopausa, os “fogachos” na andropausa podem se manifestar como ondas de calor súbitas, geralmente no rosto, resultantes da desregulação hormonal2.
Veja também: 7 estratégias para lidar com as mudanças no corpo (e no peso) na menopausa
Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.
*Embora o nível de testosterona no sangue considerado normal seja de 300 a 1000 ng/dL, os valores de referência podem variar bastante de um laboratório para outro. Isso acontece porque os resultados dependem dos diferentes métodos de análise e equipamentos utilizados. Muitas vezes, as faixas de referência fornecidas pelos fabricantes dos exames são significativamente mais baixas do que essa média, o que torna indispensável a avaliação de um médico para interpretar os números junto com os sintomas.
**Semaglutida na dosagem de 2,4 mg.




