Constipação e canetas: como lidar com o intestino preso
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Constipação: como lidar e a relação com as canetas

A prisão de ventre pode ocorrer durante o tratamento com análogos de GLP-1, mas algumas medidas podem ajudar a aliviar os sintomas

Por Minha Vida na Medida

As chamadas “canetas emagrecedoras”, como aquelas à base de semaglutida, atuam no controle da glicemia, na redução do apetite e no aumento da saciedade1. Esses medicamentos também têm ação no sistema digestivo1,2.

Com isso, os efeitos colaterais mais comuns do uso das canetas são os gastrointestinais. E entre eles está a constipação – a famosa prisão de ventre1,2.

Tais efeitos costumam ser de leves a moderados e transitórios, sendo mais comuns no começo do tratamento com os análogos de GLP-11,2. Algumas atitudes simples podem colaborar para a melhora da constipação e outros desconfortos abdominais.

Por que o uso das canetas pode causar prisão de ventre?

Medicamentos como a semaglutida imitam a ação do hormônio GLP-1 no organismo. Com isso, agem em áreas relacionadas ao apetite, à saciedade e ainda mexem com o sistema digestivo e a motilidade intestinal1,2.

As canetas retardam o esvaziamento do estômago e podem deixar o trânsito do intestino delgado mais lento, o que pode favorecer o quadro da constipação2.

Com o trânsito mais lento, as fezes permanecem mais tempo no intestino, onde continuam perdendo água. O resultado é, muitas vezes, a formação de fezes mais secas e endurecidas, que se tornam mais difíceis de eliminar2,3.

Intestino preso e outros sintomas comuns da constipação

Vale reforçar que constipação intestinal pode estar relacionada a diferentes fatores, como condições de saúde, hábitos de vida ou surgir como efeito de medicamentos, entre eles as canetas emagrecedoras3,4.

O principal sinal de intestino preso é a dificuldade em ir ao banheiro. De forma geral, a constipação pode envolver evacuar menos de três vezes por semana, fazer muito esforço para evacuar, apresentar fezes endurecidas ou ter a sensação de que a evacuação não foi completa4.

Além disso, outros incômodos podem vir junto com a prisão de ventre. É comum sentir desconforto e distensão abdominal, excesso de gases e cólicas. Esses sintomas estão relacionados ao tempo prolongado que o conteúdo intestinal permanece no intestino4.

Mulher sentada no vaso sanitário abraçando a própria barriga, demonstrando dor e desconforto abdominal, que são sintomas comuns do intestino preso.

Como lidar com a constipação durante o tratamento com as canetas emagrecedoras?

Nas pessoas que usam medicamentos como a semaglutida, a constipação, assim como outros efeitos colaterais gastrointestinais, pode ocorrer principalmente no início do tratamento e também após o aumento da dose1 (lembrando que qualquer alteração na dose e o tratamento em si devem ser feitos com acompanhamento médico).

Embora sejam desagradáveis, esses efeitos são, em geral, leves a moderados e de curta duração1. Pequenas mudanças na rotina, como as listadas a seguir, contribuem para o bom funcionamento do intestino e para o bem-estar.

Beba água

Manter uma ingestão adequada de água e outros líquidos pode ajudar no funcionamento intestinal4.

A orientação da Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva e Neurogastroenterologia é tomar pelo menos dois litros (10 copos) de líquido por dia. A preferência sempre deve ser por água, mas também é possível incluir nessa conta chás e sucos (tente evitar o açúcar)4.

Faça boas escolhas alimentares

Uma dieta rica em fibras ajuda a aumentar o volume e a maciez das fezes, facilitando sua eliminação. Boas fontes de fibras incluem frutas (como mamão, laranja com bagaço, manga e abacate), verduras, legumes, sementes e grãos integrais4.

Mas atenção: consumir mais fibras sem aumentar a ingestão de água pode ter o efeito contrário e agravar a prisão de ventre.

Outra dica — que vale especialmente para quem está em tratamento com um análogo de GLP-1 — é fazer refeições menores e distribuídas ao longo do dia. Esse hábito costuma melhorar a tolerância digestiva e reduzir o desconforto causado pelo esvaziamento mais lento do estômago1.

Pessoa segurando uma tigela de papelão cheia de frutas frescas picadas, como melancia, kiwi, manga e pitaya, ilustrando boas escolhas alimentares ricas em fibras para ajudar na constipação.

Não atrase a ida ao banheiro

Sempre que tiver vontade de evacuar, procure não adiar esse momento. Ignorar repetidamente o reflexo intestinal favorece a permanência das fezes no intestino, dificultando ainda mais sua eliminação4,5.

Não use laxantes sem orientação

Além disso, não use laxantes sem o aval do seu médico. Existem diferentes tipos de laxantes, e a escolha do mais adequado deve considerar cada situação. Converse com seu médico ou profissional de saúde4,5.

Faça exercícios físicos

Movimentar o corpo também ajuda o intestino a funcionar melhor. A prática regular de atividade física estimula os movimentos naturais do intestino, favorece o trânsito das fezes e pode reduzir tanto a sensação de inchaço quanto de desconforto abdominal4,5.

O importante é encontrar uma modalidade de que você goste e incorporá-la à rotina. Se tiver dúvida, converse com um profissional de educação física e busque orientação antes de começar o exercício.

Quando a prisão de ventre é um sinal de alerta?

Se, apesar dessas medidas, a constipação persistir ou piorar é importante procurar um médico5. Em alguns casos, pode ser necessário ajustar a dose da medicação ou indicar produtos específicos para facilitar o funcionamento intestinal.

Também é necessário buscar atendimento em casos de sangramento nas fezes, prolapso retal, perda de peso involuntária e/ou incapacidade de evacuar5.

Reforçando: semaglutida e as canetas emagrecedoras são medicamentos sob prescrição, portanto, não devem ser usadas nem sem indicação e muito menos sem acompanhamento médico. Diante de qualquer dúvida ou sintoma, procure seu médico.

Perguntas frequentes sobre constipação

Veja um resumo sobre o tema e ainda uma curiosidade sobre constipação.

O que é constipação e quais os sintomas?

A constipação intestinal – ou prisão de ventre – é a dificuldade para evacuar. Ela é caracterizada pela diminuição da frequência das evacuações, fezes endurecidas, esforço para evacuar e sensação de esvaziamento incompleto. Também podem surgir dor abdominal, barriga inchada e excesso de gases4.

O que fazer quando está constipado?

As primeiras medidas podem incluir manter uma ingestão adequada de água, consumir alimentos ricos em fibras e praticar exercícios físicos4. Para quem utiliza canetas emagrecedoras, é importante informar o médico sobre o sintoma. Dependendo da intensidade da constipação, o profissional poderá indicar produtos que auxiliem o funcionamento do intestino.

Quanto tempo dura a constipação intestinal?

A duração varia de pessoa para pessoa. Quando está relacionada aos medicamentos à base de GLP-1, a duração da constipação pode variar. Os efeitos gastrointestinais são mais frequentes no início do tratamento e, em muitos casos, diminuem ao longo do tempo1,2.

Qual a diferença entre gripe e constipação?

Em Portugal e em algumas regiões do país, o termo “constipação” pode ser usado como sinônimo de gripe ou resfriado comum. Na maior parte do Brasil, porém, o termo constipação refere-se à prisão de ventre, ou seja, à dificuldade para evacuar.

Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

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1. Gerchman F, Van de Sande-Lee S, Mancini MC, et al. Diretriz brasileira de tratamento farmacológico da obesidade – ABESO 2026. 5. ed. São Paulo, SP: Scientific; 2026. doi:10.47626/2026-abeso-0001. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Diretrizes-ABESO_completo_20260320.pdf. Acesso em: 16 jul. 2026.

2. BELLAVANCE, Danielle; CHUA, Samantha; MASHIMO, Hiroshi. Gastrointestinal motility effects of GLP-1 receptor agonists. Current Gastroenterology Reports, v. 27, n. 1, p. 49, 2025.

3. ISMAIEL, Abdulrahman et al. Gastrointestinal adverse events associated with GLP-1 RA in non-diabetic patients with overweight or obesity: a systematic review and network meta-analysis: Clinical Research. International Journal of Obesity, v. 49, n. 10, p. 1946-1957, 2025.

4. Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva e Neurogastroenterologia. Constipação intestinal. Publicado em 19 de março de 2019. Disponível em: https://www.sbmdn.org.br/doencas-relacionadas/constipacao-intestinal/. Acesso em: 16 jul. 2026.

5. Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO). Uma abordagem mundial de cascata para diagnóstico e tratamento da constipação crônica. Diretrizes Mundiais da Organização Mundial de Gastroenterologia. 2025. Disponível em: https://www.worldgastroenterology.org/UserFiles/file/guidelines/constipation-portuguese-2025.pdf. Acesso em: 16 jul. 2026.