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Saúde

Como lidar com a ansiedade durante o processo de emagrecimento

A jornada de emagrecimento pode ser desafiadora, e cuidar das emoções ao longo desse processo é fundamental; saiba como

Por Minha Vida na Medida

Adotar novos hábitos para emagrecer pode gerar uma carga natural de ansiedade, em alguns momentos alimentada pela urgência por resultados e, em outros, pelo medo de falhar. O problema é que nem sempre estamos preparados para lidar com essas emoções que surgem no caminho1,2.

Se não for gerenciada com estratégia, a saúde mental pode se tornar um grande obstáculo para o sucesso na balança. Diante disso, para lidar com a ansiedade e emagrecer com saúde, o primeiro passo é acolher e compreender seus sentimentos; afinal, só conseguimos transformar aquilo que entendemos.1,2

Ao desenvolver o autoconhecimento, você consegue reconhecer melhor seus gatilhos e ajustar comportamentos, construindo um processo de emagrecimento mais sustentável a longo prazo1.

Para apoiar esse percurso, reunimos um guia prático com orientações que podem te ajudar a seguir com mais consistência e autonomia. E não hesite em procurar ajuda médica e apoio psicológico ao longo desse processo1.

Afinal, por que sentimos ansiedade?

A ansiedade surge diante de situações de incerteza ou possíveis ameaças, e funciona como um mecanismo de adaptação e proteção do organismo. Diferentemente do medo, que acontece diante de perigos imediatos, a ansiedade está mais relacionada à antecipação de situações futuras que podem ou não acontecer 2,3.

Quando estamos ansiosos, o corpo entra em estado de alerta para se preparar diante de possíveis ameaças2,3.

A ansiedade pode ser desencadeada também por traumas, estresses, pressões do dia a dia e incertezas em relação ao futuro, causando inúmeras consequências. Algumas delas estão diretamente ligadas ao metabolismo2,3, e podem influenciar o nosso peso, nos fazer engordar ou emagrecer, por exemplo1.

Ansiedade x transtorno de ansiedade

Quando falamos de ansiedade, estamos nos referindo a uma sensação de inquietação ou urgência que aparece diante de desafios, mudanças ou frustrações2,3.

Isso é diferente dos transtornos de ansiedade, condições com intensidade e impacto muito maiores, que exigem avaliação e suporte psiquiátrico2,3.

Por aqui, vamos focar na ansiedade do dia a dia, aquela que, mesmo sem configurar um transtorno, já é suficiente para influenciar decisões, comportamentos e a forma como nos relacionamos com a comida.

Ansiedade engorda? Entenda a relação entre estresse e balança

Visão aproximada de uma pessoa utilizando um notebook enquanto consome diversos snacks ultraprocessados, como salgadinhos, doces e refrigerante, representando a alimentação emocional causada pela ansiedade.

Como vimos, a ansiedade impulsiona o corpo a reagir em situações de estresse. Nesse processo, ela aciona “botões” que podem interferir no metabolismo2,3.

O principal deles é o botão do cortisol, o hormônio do estresse. Quando ele é ativado por muito tempo, o corpo entra em modo de sobrevivência. Isso significa que, devido ao estresse crônico, o corpo passa por mudanças metabólicas importantes, como o aumento do estoque de gordura, principalmente a visceral, e diminuição do gasto de calorias1-6.

Para piorar, o excesso de cortisol pode aumentar a resistência à insulina, uma condição que dificulta o controle adequado da glicose no sangue1-5.

Em paralelo, o cérebro ansioso, sempre em busca de conforto, pode encontrar no açúcar uma forma de ativar o sistema de recompensa cerebral, liberando dopamina, o neurotransmissor ligado ao prazer. É o que a ciência chama de “desinibição” alimentar, ou seja, tendência a comer em excesso em resposta a emoções negativas (como estresse e ansiedade)2-5.

Tudo isso pode levar ao ganho de peso e ao acúmulo de gordura.

Como identificar os sintomas de ansiedade no dia a dia

Identificar a ansiedade nem sempre é uma tarefa óbvia, pois ela costuma se camuflar em uma mistura de sintomas físicos e comportamentais.

Essa percepção pode ser ainda mais complexa no processo de emagrecimento, já que o corpo precisa diferenciar o desconforto da adaptação a um novo ritmo metabólico do alerta provocado pelo estresse4.

Abaixo, veja alguns sinais de ansiedade e manifestações comuns.

Principais sintomas físicos da ansiedade

  • aumento dos batimentos cardíacos1-3;
  • suor frio1-3;
  • tremores1-3;
  • tensão muscular nos ombros e pescoço1-3;
  • dificuldade para pegar no sono1-3.

Manifestações comportamentais da ansiedade

  • irritabilidade1-3;
  • falta de foco1-3;
  • impaciência1-3;
  • isolamento social1-3.

Fome emocional

Quem sofre com a ansiedade pode querer comer mesmo sem estar com fome. Essa é a chamada fome emocional1-3.

Nesse caso, como já foi dito, a preferência é por alimentos como doces, frituras e ultraprocessados, como se fossem uma recompensa ou uma forma de conforto1-3.

Ansiedade noturna

A ansiedade não tem hora para atacar, mas na madrugada ela pode aparecer como um impulso de assaltar a geladeira. A ciência chama isso de síndrome do comer noturno7.

Quem convive com a ansiedade noturna chega a consumir mais de um quarto das calorias diárias durante a noite. Além disso, muitas pessoas sentem que precisam comer para conseguir dormir7.

Se tiver dúvidas, notar esses sintomas ou sentir que a ansiedade está sendo um obstáculo, procure apoio especializado. Esse é o melhor caminho para identificar os sintomas e entender como controlar a ansiedade no dia a dia.

Crise de ansiedade e dieta: o que causa e como prevenir

Uma mulher sentada no chão de forma reflexiva, com foco em uma balança digital e uma fita métrica à sua frente, ilustrando a pressão estética e a ansiedade gerada pelo processo de emagrecimento.

Um projeto de emagrecimento eficiente envolve ajustes na alimentação, estilo de vida e, se indicado pelo médico, o uso de medicamentos. Se não há um planejamento que leve em conta toda essa complexidade, as alterações de rotina podem se tornar gatilhos capazes de despertar a ansiedade1,3,8,9.

Isso ocorre porque abordagens superficiais, baseadas apenas em restrições e força de vontade, costumam resultar em um ciclo frustrante de privação severa seguida de ansiedade e compulsão1,3,8,9.

Nesse sentido, a solução não depende apenas de “fechar a boca” com mais rigor, mas de adotar estratégias que impeçam a mente de transformar a comida na única válvula de escape para o estresse e a ansiedade. Apoio médico, psicológico e nutricional contribui muito nesse processo1,8,9.

Como controlar a ansiedade e emagrecer com saúde

Aprender a nomear o que você sente é o primeiro passo para impedir que os pensamentos impulsivos decidam as suas ações. Ao entender que aquela vontade súbita de comer é um sinal de ansiedade, e não fome real, você tem mais chances de praticar o autocontrole1,8,9.

Antes de abrir o aplicativo de delivery ou passar na padaria, faça uma pausa e se pergunte: “Eu estou mesmo com fome ou só quero aliviar um desconforto?”. Diferenciar a necessidade física da urgência emocional devolve a você o comando das suas ações.

A partir daí, você pode negociar consigo mesmo os melhores momentos para abrir exceções e, ao mesmo tempo, buscar alternativas para canalizar as emoções.

Exercícios físicos para aliviar a ansiedade rapidamente

A atividade física vai muito além do gasto calórico; ela funciona como um remédio contra a ansiedade relacionada à comida10.

A prática de exercícios físicos ajuda no controle dos hormônios que regulam a fome e a saciedade, servindo como um substituto eficiente para o conforto que você poderia buscar na comida10.

Para completar, o esporte ajuda a melhorar o padrão de sono, combatendo a insônia que costuma alimentar ciclos ansiosos10.

A meta ideal para adultos é alcançar de 150 a 300 minutos de atividade física moderada por semana, respeitando sempre as limitações de cada corpo10.

Ao transformar o exercício em um hábito, você constrói um alicerce sólido para o emagrecimento sustentável e ainda cuida da saúde mental10.

Meditação como aliada para diminuir a ansiedade

Como complemento à atividade física, a prática da meditação pode ajudar a reduzir os sintomas da ansiedade ao organizar e acalmar os pensamentos em torno da consciência4,11,12.

Mindful eating também pode ajudar

Outro aliado é o mindful eating (comer consciente), que consiste em desenvolver a presença durante as refeições, atentando-se à mastigação e aguçando os sentidos para perceber os alimentos durante a refeição4,11,12.

A técnica ajuda a reduzir a alimentação automática e impulsiva, treinando o foco para o momento presente e aumentando a consciência sobre o que, quanto e por que se está comendo4,11,12.

Ao entender como sua mente funciona, você diminui os gatilhos da ansiedade relacionados à comida e torna o emagrecimento um processo mais leve. Por isso, o suporte de profissionais como psicólogos também é uma alternativa para reestruturar padrões de pensamentos e garantir que a saúde mental seja a sua aliada4,11,12.

O papel dos medicamentos: remédio para ansiedade e emagrecimento

Já falamos por aqui que a ansiedade é resultado de uma combinação de fatores e que pode variar de um impulso passageiro até um transtorno que exige acompanhamento especializado.

Nesse contexto, o uso de medicamentos para ansiedade é recomendado em casos específicos, sob acompanhamento médico, e seus benefícios e efeitos colaterais variam de acordo com o princípio ativo do remédio e a resposta de cada paciente. Enquanto alguns medicamentos podem aumentar o apetite e o peso, outros são neutros ou podem até reduzir o apetite e ajudar no controle da impulsividade.2,3

Em todos os casos, a automedicação é perigosa e pode causar efeitos graves se não for supervisionada por profissionais de saúde especializados.

Atualmente, o uso das canetas emagrecedoras de semaglutida e tirzepatida tem se consolidado como uma estratégia importante no controle da saciedade dentro de tratamentos de obesidade13. E a ciência já tem explorado o impacto desses medicamentos na ansiedade.

Estudos recentes mostram que o uso de análogos de GLP-1 não está associado a um aumento na ansiedade ou a piora de sintomas depressivos. Além disso, há relatos de melhora no comportamento de “comer emocional” (usar a comida para lidar com ansiedade ou tristeza) e maior controle sobre a restrição alimentar14.

O recado é: esses medicamentos são seguros para o tratamento do diabetes e da obesidade e não devem agravar ou desencadear quadros de ansiedade14.

Em todos os casos, o médico é o único profissional habilitado para decidir quando o medicamento é necessário e como ele deve ser integrado à estratégia de emagrecimento.

Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

Compatilhe

1. DAKANALIS, Antonios et al. The association of emotional eating with overweight/obesity, depression, anxiety/stress, and dietary patterns: a review of the current clinical evidence. Nutrients, v. 15, n. 5, p. 1173, 2023.

2. STAHL, Stephen M. Essential psychopharmacology: The prescriber's guide. Cambridge University Press, 2005.

3. DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Artmed Editora, 2018.

4. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA (ABESO). Diretrizes brasileiras de obesidade 2016. 4. ed. São Paulo: ABESO, 2016. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2019/12/Diretrizes-Download-Diretrizes-Brasileiras-de-Obesidade-2016.pdf?utm_source=chatgpt.com Acesso em: 3 maio 2026.

5. BRASIL. Ministério da Saúde. Transtornos de ansiedade podem estar relacionados a fatores genéticos. Brasília, 21 set. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/setembro/transtornos-de-ansiedade-podem-estar-relacionados-a-fatores-geneticos?utm_source=chatgpt.com Acesso em: 3 maio 2026.

6. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Obesidade. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. (Cadernos de Atenção Básica, n. 12). Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/cadernos_ab/abcad12.pdf. Acesso em: 3 de maio. 2026.

7. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA (ABESO). Transtornos alimentares. São Paulo: ABESO, 2023. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2023/11/ebook_transtornosalimentares.pdf. Acesso em: 3 maio 2026.

8. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA (ABESO). Posicionamento sobre o tratamento nutricional do sobrepeso e da obesidade: Departamento de Nutrição da ABESO. São Paulo: ABESO, 2022. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2022/11/posicionamento_2022-alterado-nov-22-1.pdf. Acesso em: 3 maio 2026.

9. HUSSENOEDER, Felix S. et al. Analyzing the link between anxiety and eating behavior as a potential pathway to eating-related health outcomes. Scientific Reports, v. 11, n. 14717, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1038/s41598-021-94279-1. Acesso em: 3 maio 2026.

10. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA (ABESO). Guia prático: exercício físico e obesidade. São Paulo: ABESO, 2021. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2021/08/GuiaAtividadeV4-CapaB.pdf. Acesso em: 3 maio 2026.

11. WARREN, Janet M.; SMITH, Nicola; ASHWELL, Margaret. A structured literature review on the role of mindfulness, mindful eating and intuitive eating in changing eating behaviours: effectiveness and associated potential mechanisms. Nutrition research reviews, v. 30, n. 2, p. 272-283, 2017.

12. GOYAL, Madhav et al. Meditation programs for psychological stress and well-being: a systematic review and meta-analysis. JAMA internal medicine, v. 174, n. 3, p. 357-368, 2014.

13. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA (ABESO). Diretriz brasileira de tratamento farmacológico da obesidade. São Paulo: ABESO, 2026. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Diretrizes-ABESO_completo_20260320.pdf. Acesso em: 3 maio 2026.

14. PIERRET ACS, MIZUNO Y, SAUNDERS P, et al. Glucagon-Like Peptide 1 Receptor Agonists and Mental Health: A Systematic Review and Meta-Analysis. JAMA Psychiatry. 2025;82(7):643-653.