Caneta de GLP-1: por que os resultados mudam? 
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Caneta de GLP-1: por que os resultados variam tanto?

Eficácia do tratamento farmacológico de obesidade depende da estratégia definida e de fatores genéticos e sociais

Por Minha Vida na Medida

O uso de medicamentos análogos de GLP-1, conhecidos como “canetas para emagrecer”, tem revolucionado o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Porém, o resultado na balança não é o mesmo para todas as pessoas.

Isso não quer dizer que essa classe de medicamentos, quando usada sob orientação e aliada a uma rotina de exercícios somada com dieta equilibrada, não seja eficaz. Mas, sim, o resultado é individual. Enquanto alguns conseguem perder peso muito rápido, outros enfrentam uma jornada mais lenta e difícil, mesmo seguindo as recomendações médicas à risca1.

Por isso, comparar a sua evolução com a de amigos ou influenciadores digitais pode criar expectativas irreais e gerar frustrações desnecessárias. A experiência de outra pessoa dificilmente será um bom parâmetro para avaliar o seu tratamento, seja ele qual for.

Entenda como a ciência explica por que os resultados com as canetas para emagrecer são tão variáveis de pessoa para pessoa e siga firme na sua caminhada!

Na prática, como funciona a caneta para emagrecer?

Os análogos de GLP-1, como a semaglutida, são os princípios ativos usados nas chamadas canetas para emagrecer. Tais substâncias atuam no organismo imitando a ação do hormônio GLP-12.

Com isso, contribuem para:

  • controle da glicemia2;  
  • aumento da sensação de saciedade2; 
  • redução do apetite2. 

A semaglutida ainda age no sistema digestivo, retardando o esvaziamento gástrico. Todo esse conjunto de mecanismo ajuda a reduzir a fome2.

Estudos indicam que as canetas de semaglutida ainda podem contribuir em casos de compulsão alimentar, justamente por atuarem em mecanismos centrais do apetite e da saciedade3.

Todos esses fatores colaboram para a perda de peso. Mas é importante ressaltar que é essencial seguir o tratamento tanto com orientação quanto com acompanhamento médico e aliar o medicamento a mudanças de hábitos e estilo de vida2,4.

Lembre-se ainda de que as canetas são medicamentos sob prescrição, ou seja, só podem ser vendidas com receita médica, que fica retida.

E por que os resultados com a caneta para emagrecer podem variar tanto?

A resposta para essa pergunta começa na escolha do princípio ativo e da dose adequada para cada caso. E cabe ao médico definir qual é a opção mais adequada para cada paciente e estabelecer a melhor estratégia de tratamento4.

Além disso, genética, funcionamento do organismo, comportamento alimentar, ambiente e até aspectos sociais interagem de forma única em cada indivíduo. Tudo isso pode influenciar os resultados do tratamento, que deve sempre ser individualizado4.

E ainda tem mais…

Relação com a comida pode impactar nos resultados das canetas

Mulher comendo bolo de chocolate em frente à geladeira aberta, representando como os hábitos alimentares afetam os resultados da caneta para emagrecer.

Quando pensamos em fome, normalmente imaginamos um estômago vazio. Na prática, porém, a vontade de comer pode surgir por diferentes motivos1.

Um estudo publicado na Frontiers in Clinical Diabetes and Healthcare em 2025 reforça essa ideia. Os pesquisadores observaram que determinados padrões de comportamento alimentar podem influenciar a resposta às canetas para emagrecer1.

Nem toda fome é igual

Entre os principais padrões de comportamento alimentar estudados estão:

  • Comer por estímulos externos ou fome visual/sensorial: acontece quando a vontade de comer é despertada pelo ambiente, como sentir o cheiro de um pão saindo do forno, ver uma sobremesa ou assistir a alguém comendo1. 
 
  • Comer emocional: ocorre quando a comida é usada para aliviar emoções como ansiedade, estresse, tristeza ou frustração, e não necessariamente para saciar a fome. Esse padrão costuma estar relacionado ao consumo de alimentos mais calóricos e ricos em açúcar e gordura1. 

E qual tipo de fome é mais difícil “controlar” com as canetas?

O estudo identificou que pacientes com maior tendência a comer por estímulos externos apresentaram, em média, uma perda de peso maior durante o tratamento com semaglutida1.

Isso pode acontecer porque essas medicações ajudam a reduzir aquele impulso frequente de pensar em comida que mencionamos no início do artigo1.

Por outro lado, o estudo não encontrou associação entre o comer emocional e uma maior perda de peso durante o tratamento. As canetas emagrecedoras também reduzem o apetite nessas pessoas, mas não são capazes de substituir o tratamento psicológico voltado a modificar a origem emocional desse comportamento1.

Resumindo, as canetas atuam na redução do apetite e no aumento da saciedade2, mas para lidar com as emoções, pode ser necessário buscar ajuda e apoio de outros profissionais de saúde.

E isso é reflexo do que é a obesidade: uma doença multifatorial. Nesse caso, perder peso envolve muito mais do que apenas controlar a alimentação. É encarar emoções, questões metabólicas e outras variáveis. Os medicamentos têm seu papel importante, mas são apenas parte da equação4.

Outros motivos que alteram resultados das canetas emagrecedoras

Além do tipo de fome, outras características do organismo ajudam a explicar por que duas pessoas usando a mesma medicação podem ter resultados completamente diferentes5.

Algumas pessoas demoram mais para sentir saciedade durante as refeições. Outras voltam a sentir fome pouco tempo depois de comer. Há ainda quem tenha um gasto energético naturalmente menor (o que é chamado popularmente de metabolismo mais lento)5.

Como cada um desses perfis funciona de maneira diferente, é natural que a resposta às canetas emagrecedoras também varie5.

Pés de uma pessoa subindo em uma balança branca, simbolizando o acompanhamento dos resultados de peso ao usar a caneta para emagrecer.

Por isso, vale reforçar que todo o tratamento com análogos de GLP-1 ou qualquer outro deve ser feito com acompanhamento médico. São os profissionais de saúde que vão avaliar como estão os pacientes, quais as suas reais necessidades e definir o caminho mais adequado.

Afinal, quem pode usar caneta emagrecedora?

As canetas de análogos do GLP-1 já são uma realidade para o tratamento do diabetes tipo 2 e o controle de peso, mas elas não são indicadas para qualquer paciente nem devem ser utilizadas apenas com finalidade estética6.

A prescrição desses medicamentos segue critérios bem definidos e deve ser feita após avaliação médica6.

Quando utilizadas para o tratamento da obesidade e do excesso de peso, de forma geral as canetas emagrecedoras são indicadas para:

  • pessoas com IMC igual ou superior a 30 kg/m² sem comorbidades6; 
  • pessoas com IMC igual ou superior a 27 kg/m² associadas a doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, dislipidemia ou doença hepática gordurosa6. 

Mais do que promover o emagrecimento, o objetivo desses medicamentos é reduzir o risco de complicações da obesidade, melhorar a qualidade de vida e favorecer um controle de peso duradouro6.

Associados a mudanças no estilo de vida, eles são uma ferramenta importante no tratamento de uma doença que exige acompanhamento a longo prazo6.

E, além da orientação do profissional de saúde, é fundamental atentar à procedência das canetas. Rotineiramente, a imprensa noticia a importação ilegal de canetas ou a venda de substâncias que ainda não têm a aprovação da Anvisa e dos órgãos reguladores.

Usar um medicamento sem registro e sem indicação é colocar a saúde em risco.

Dúvidas frequentes sobre a caneta para emagrecer

Confira a seguir as respostas para as principais dúvidas sobre as chamadas canetas emagrecedoras.

Qual a melhor caneta para emagrecer?

A melhor caneta para emagrecer é aquela que mais se adapta às necessidades individuais e ao quadro clínico do paciente, sob indicação médica.

Quantos quilos se perde com 1 caneta?

Não existe uma estimativa precisa sobre a perda de peso com uma caneta para emagrecer porque isso varia conforme a medicação, a dose, o tempo de tratamento e as características de cada pessoa. Em geral, o tratamento é contínuo e sua duração deve ser definida pelo médico de acordo com a resposta de cada paciente1,5.

Quanto custa a caneta que ajuda a emagrecer?

As opções de canetas para emagrecer variam entre R$292,45 e R$4.937,74, de acordo com o Preço Máximo ao Consumidor (PMC) autorizado pelo governo. O preço muda conforme o princípio ativo, a dosagem, a marca e a região do país7.

Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

Valores consultados na Anvisa em 5 de julho de 2026

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1. KOIDE, Yuya et al. Association between eating behavior patterns and the therapeutic efficacy of GLP-1 receptor agonists in individuals with type 2 diabetes: A multicenter prospective observational study. Frontiers in Clinical Diabetes and Healthcare, v. 6, p. 1638681, 2025. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/clinical-diabetes-and-healthcare/articles/10.3389/fcdhc.2025.1638681/full. Acesso em: 14 jul. 2026.

2. WILDING, John P. H. et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity. The New England Journal of Medicine, v. 384, n. 11, p. 989-1002, 18 mar. 2021. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2032183. Acesso em: 14 jul. 2026.

3. RICHARDS, Jesse et al. Successful treatment of binge eating disorder with the GLP-1 agonist semaglutide: a retrospective cohort study. Obesity Pillars, v. 7, p. 100080, 2023.

4. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA (ABESO). Diretrizes brasileiras de obesidade 2016. 4. ed. São Paulo: ABESO, 2016. 188 p. ISBN 978-85-93044-00-7. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2019/12/Diretrizes-Download-Diretrizes-Brasileiras-de-Obesidade-2016.pdf. Acesso em: 4 jul. 2026.

5. ESPINOSA, Maria Antonia et al. Precision medicine for obesity treatment. Journal of the Endocrine Society, v. 9, n. 9, p. bvaf102, 2025.

6. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA (ABESO). Diretriz brasileira de tratamento farmacológico da obesidade: ABESO 2026. 5. ed. São Paulo: Scientific, 2026. ISBN 978-65-995414-1-4. DOI: 10.47626/2026-abeso-0001. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Diretrizes-ABESO_completo_20260320.pdf. Acesso em: 5 jul. 2026.

7. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Preços de medicamentos. Brasília, DF: ANVISA, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/cmed/precos. Acesso em: 5 jul. 2026.