Osteoartrite é um nome complicado, mas e artrose? É bem provável que você já tenha ouvido falar disso ou visto alguém reclamar de “dor nas juntas“.
Osteoartrite, ou simplesmente artrose, é uma condição crônica, que tem como sintomas a dor e a rigidez nas articulações1. É uma doença que afeta a mobilidade, prejudica a qualidade de vida e pode dificultar até as tarefas mais simples do dia a dia1,2.
Por muito tempo, acreditava-se que a osteoartrite era apenas uma consequência natural do envelhecimento. Hoje, porém, sabe-se que o problema vai muito além da idade1,2.
Fatores como excesso de peso, estilo de vida e hereditariedade aceleram o surgimento da osteoartrite e dificultam o seu tratamento1,2.
A seguir, veja como é possível reduzir os sintomas da osteoartrite, retardar a progressão da doença e melhorar o seu bem-estar.
O que é osteoartrite e o que acontece com a cartilagem?
A osteoartrite é uma doença crônica caracterizada pela degradação da cartilagem e por alterações em toda a articulação, tornando os movimentos mais dolorosos e limitados. Joelhos, quadris, mãos e coluna são as regiões mais frequentemente afetadas1,2.
A cartilagem é um tecido firme e flexível, composto de muita água e colágeno, que reveste as extremidades dos ossos e permite que as articulações se movimentem com pouco atrito. Além de funcionar como um amortecedor, ela distribui as cargas geradas durante atividades como caminhar, subir escadas ou levantar objetos1,3.
Com o passar do tempo, ou diante de fatores como excesso de peso, lesões, desalinhamentos articulares, fissuras e predisposição genética, essa estrutura pode perder sua capacidade de proteger a articulação1,3.
Como consequência, surgem alterações nas demais estruturas articulares e os movimentos tornam-se cada vez mais dolorosos e limitados1,3.
Existe diferença entre osteoartrite e artrose, afinal?
Osteoartrite, osteoartrose e artrose são nomes para a mesma doença1. Enquanto artrose é o termo que se tornou mais popular, osteoartrite é usado na literatura médica e pelos profissionais de saúde.
Quando aparecem em laudos, perícias ou afastamentos do trabalho, os códigos mais utilizados para referir a osteoartrite são do grupo CID M15-M19 (com exceção da osteoartrite na coluna vertebral, que possui um grupo próprio, o M47)4.

Principais sintomas e sinais de alerta
O principal sintoma da osteoartrite é a dor nas articulações2. Daí a expressão “dor nas juntas”.
No início, ela costuma aparecer ou piorar quando a pessoa se movimenta. Entretanto, à medida que a doença progride, o desconforto torna-se mais frequente2.
Outros sinais comuns da osteoartrite incluem:
- rigidez nas articulações ao acordar ou após permanecer muito tempo sentado2;
- sensação de estalos e rangidos durante os movimentos (crepitação)2;
- redução da flexibilidade2;
- inchaço na articulação2;
- diminuição da força e da amplitude dos movimentos2.
É comum que as pessoas descrevam esses sintomas também como dor nos ossos ou até inflamação nos ossos.
Embora essas expressões possam fazer sentido para quem sofre com a osteoartrite, a causa do problema está principalmente nas articulações, e não no osso em si1,2. E como as articulações têm muitas terminações nervosas, a dor pode parecer irradiar, transmitindo a falsa sensação de que afeta todo o osso.
Em caso de sintomas ou dúvidas sobre artrose ou osteoartrite, procure um médico.
A balança e as articulações: como o peso impacta a osteoartrite?
O excesso de peso é um dos fatores que mais influenciam o desenvolvimento e a progressão da osteoartrite1,5. Essa relação acontece por dois mecanismos diferentes5.
O primeiro é o mecânico. Quanto maior o peso corporal, maior a carga suportada por articulações como joelhos, quadris e coluna. Essa sobrecarga repetitiva favorece a degradação da cartilagem e o avanço da artrose1,5.
O segundo mecanismo é inflamatório. Hoje, sabe-se que o tecido adiposo (nome científico para o nosso estoque de células de gordura) não funciona apenas como reserva de energia. Ele produz substâncias que mantêm o organismo em um estado de inflamação crônica de baixa intensidade5.
Essas moléculas participam da degradação da cartilagem e ajudam a explicar por que pessoas com obesidade apresentam maior risco de desenvolver osteoartrite, inclusive em articulações que suportam pouca carga5.
Por isso, manter um peso adequado é uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de desenvolver artrose e retardar a progressão da doença quando ela já existe1,5.
Como tratar a artrose e recuperar a qualidade de vida

O tratamento da osteoartrite busca aliviar a dor, preservar a função das articulações e manter a independência do paciente6.
Entre as medidas mais utilizadas no tratamento da artrose (ou osteoartrite) estão:
- fisioterapia6;
- exercícios físicos1,6;
- exercícios de alongamento e flexibilidade6;
- palmilhas e órteses6;
- medicamentos para controle da dor6.
A combinação dessas abordagens produz melhores resultados do que o tratamento isolado6. E, sempre que possível, a atividade física deve ser orientada por profissionais da saúde para que seja realizada de forma segura e adequada às necessidades de cada pessoa, para evitar qualquer problema ou agravamento.
Entretanto, em alguns casos, especialmente quando as medidas citadas acima não apresentam os resultados esperados, a cirurgia pode ser indicada6.
O papel do controle de peso
Em pessoas com obesidade, reduzir o peso corporal é uma das medidas mais importantes para o tratamento da osteoartrite1,5.
O emagrecimento diminui simultaneamente a carga sobre as articulações1 e o estado inflamatório associado ao excesso de tecido adiposo5.
Estudos mostram que mesmo reduções moderadas do peso corporal podem diminuir a dor e melhorar a capacidade funcional, especialmente em pessoas com osteoartrite de joelho5.
A base para emagrecer continua sendo a combinação entre alimentação adequada e atividade física7. Quando houver indicação, medicamentos que contribuem para a perda de peso, como as canetas de semaglutida e outras substâncias da classe dos análogos do GLP-1, podem fazer parte do tratamento8.
Esses medicamentos atuam na redução do apetite, no aumento da saciedade e no controle da glicemia7. Esse cenário favorece a perda de peso e, consequentemente, pode diminuir a sobrecarga nas articulações e aliviar a dor associada à osteoartrite. Entre os medicamentos dessa classe, a semaglutida demonstrou promover melhora da dor e da capacidade funcional em pessoas com obesidade e osteoartrite de joelho8.
Vale lembrar que as chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos sob prescrição e devem ser usadas com orientação e acompanhamento médico. E elas não agem sozinhas. Também é necessário adotar mudanças no estilo de vida, como a prática regular de exercícios e uma dieta balanceada7.
Dieta ajuda a melhorar a artrose?
Como destaca a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a dieta não tem relação direta com o tratamento da artrose, mas pode ser considerada para contribuir para a perda de peso1.
No final, a dieta acaba sendo uma coadjuvante importante em todo o quadro.
Dúvidas frequentes sobre osteoartrite
Reunimos as perguntas mais frequentes sobre a osteoartrite para ajudar você a entender melhor a doença.
O que é osteoartrite e o que causa?
Osteoartrite ou artrose é uma doença crônica das articulações, caracterizada pela degradação da cartilagem e por alterações em toda a articulação. Entre os principais fatores associados ao seu desenvolvimento estão o envelhecimento, a obesidade e o estilo de vida1,2.
Quais são os sintomas da osteoartrite?
Os sintomas mais comuns da osteoartrite incluem dor nas articulações ao se movimentar e rigidez nas articulações ao acordar e após longos períodos de repouso. Além disso, pacientes relatam inchaço, perda de flexibilidade e sensação de “estalos nas juntas”1,2.
Qual remédio bom para osteoartrite?
O tratamento medicamentoso da osteoartrite deve ser orientado por um ortopedista ou reumatologista. Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser utilizados para aliviar a dor, mas só devem ser tomados sob indicação médica. Além disso, o tratamento de condições que agravam a doença, como a obesidade.6
Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.




